Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +

Salvar a Europa de si própria!

Vamos escutar as VIDAS!

Salvar a Europa de si própria!

Ideias

2019-06-29 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

Muito se tem vindo a falar da necessidade premente de reforma na União Europeia (UE) visando ultrapassar as suas dificuldades e contradições. Nesse sentido, foi recentemente divulgado um interessante (embora não consensual) manifesto público contendo propostas específicas e nomeado por “Salvar a Europa de si Própria”, subscrito por mais de uma centena de reputados economistas europeus e liderado pelo francês Thomas Piketty. Este último foi o autor da obra publicada em 2013 e que teve grande impacto mediático “O Capital no Século XXI”, onde aborda os problemas da desigualdade como elemento central da análise económica.
Em termos gerais, o manifesto condena o ultraliberalismo vigente na Europa e no mundo e, logo, as suas consequências na contracção do investimento estrutural no sector público e o aumento da desigualdade. Assim, aponta-se para a indispensabilidade “no seguimento do ‘Brexit’ e da eleição de governos antieuropeus em vários Estados-membros”, de se contrariar tal tendência.

Para isso, o manifesto sugere projectos a serem postos em prática na UE, a saber:
(1) Uma nova e soberana assembleia europeia composta na sua maioria por eleitos dos parlamentos nacionais, em 80%, sendo os restantes 20% oriundos do actual Parlamento Europeu. Com isso, pretende-se, por um lado, maior democratização da governação europeia e, por outro, mais justiça no pagamento de impostos na UE, em particular, quanto às multinacionais de grande dimensão.
(2) Um orçamento europeu equivalente a 4% do PIB (cerca de quatro vezes o orçamento comunitário actual) a ser afecto a políticas de estabilização económica, a programas de investigação, formação com papel relevante às universidades europeias, a investimentos públicos, a promoção de tecnologias verdes para combater as alterações climáticas e a política de integração de migrantes.
(3) Um “mix” tributário composto por quatro grandes impostos que financiariam o orçamento da UE, a saber:
(a) um imposto sobre as grandes empresas multinacionais (um imposto extra sobre os lucros de 15%);
(b) um imposto sobre a riqueza privada (para valores superiores a um milhão de euros);
(c) um imposto sobre os rendimentos mais elevados (para valores acima dos duzentos mil euros por ano);
(d) um outro imposto sob a forma de uma taxa sobre as emissões de carbono (com um preço mínimo de 30 euros por tonelada).

Em suma, segundo os autores do citado manifesto, pretende-se com aqueles projectos que se criem as condições para “A Europa poder construir um modelo que garanta aos seus cidadãos um desenvolvimento económico e social justo e persistente”. Desta forma, torna-se fundamental que se contrarie as divisões, desencantos e desigualdades existentes na UE, afastando o espectro da ascensão do populismo de extrema-direita com a sua xenofobia, racismo, homofobia e intolerância à imigração.

Para isso, segundo aquele manifesto é essencial a concretização, como vimos, de projectos estruturantes na UE:
(1) Um novo projecto de cariz político: com uma maior democratização das instituições europeias, em particular, como vimos, pela criação de uma nova assembleia europeia com maior peso para os eleitos pelos parlamentos nacionais que actue de forma mais adequada e que atenda as diferenças económicas e sociais existentes entre os Estados-membros, nomeadamente face a novas situações de crise como a verificada em 2008. Dever-se-á também promover a médio e longo prazo a convergência real na Europa;
(2) Um novo projecto orçamental: com mais progressividade, e com isso fazendo com que as grandes empresas contribuam mais do que as pequenas e médias empresas, e que os contribuintes mais ricos paguem mais do que os contribuintes mais pobres.
Por fim, o manifesto Piketty e outros “Salvar a Europa de si Própria” faz apelo a uma reforma profunda na União Europeia com o objectivo central de construção de um novo modelo que garanta o desenvolvimento económico e social justo e duradouro dos seus cidadãos.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

03 Dezembro 2020

União Digital

03 Dezembro 2020

De Famalicão para o Mundo

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho