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Salário mínimo e produtividade

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Ideias

2017-01-27 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Durante estes dias discutiu-se muito a subida do salário mínimo nacional, tendo-se afirmado que grande parte das empresas não aguentava esta subida, a não ser que fosse compensada de alguma forma. E no âmbito da concertação nacional, foi acordada a redução da TSU para as empresas, de forma que pudessem suportar esta subida dos salários.
Ora, segundo os economistas, só é justificável a subida dos salários, se houver aumento de produtividade. E esta não tem subido.

E porquê?
É hoje evidente que a explicação está fundamentalmente na falta de organização do trabalho e na má gestão, já que os trabalhadores portugueses em outro tipo de organização são tão produtivos como os ingleses ou americanos.

Por acaso comprei há dias um livro atribuído a Arthur William Costigan, militar inglês ao serviço do exército português, que em cartas ao seu irmão, entre 1778 e 1779, relata as suas viagens e acontecimentos em Portugal, dando conta das suas impressões e reflexões sobre os motivos do atraso de país.

Referindo-se à Casa Real de Bragança diz que gastava o seu tempo em baixas intrigas, sendo sustentada no trono por franceses e ingleses. Os proveitos do comércio colonial vão diretamente para o rei e elites, nunca chegando ao povo. Aqueles levam uma vida indolente e preguiçosa. E quando deflagrou uma guerra em 1762, tornou-se necessário recorrer a oficiais estrangeiros.
O conde de Lippe bem se enganou quando pretendeu fazer dos nobres portugueses bons oficiais.

Desde esses tempos que a cultura nacional não mudou substancialmente. E mesmo quando se lida com empresas estrangeiras sediadas em Portugal, estas absor- vem rapidamente a cultura nacional de falta de planeamento, não respeito pelos clientes, não cumprimento dos prazos e dos compromissos de assistência.

Em Agosto do ano passado, encomendei uma cozinha ao IKEA. Acertado o prazo de entrega e de montagem, ninguém apareceu.
Dirigi-me então à loja para pedir explicações. Depois de muito insistir e após horas de espera, foi-me dito que tinha havido um problema nos serviços e que a entrega havia sido adiada.
Mas ninguém assumiu responsabilidades, ninguém pediu desculpas, ninguém disse aquilo que os livros de gestão da qualidade mais elementar sublinham na primeira página, “que os clientes têm sempre razão”.

Seguiram-se vários erros de conceção e montagem e a obra só ficou pronta em Janeiro do presente ano. Entretanto estive meses sem cozinha, já que a velha havia sido desmontada.
E sem uma explicação razoável, já que não me interessa a forma como funcionam os serviços. Isso é um problema da gestão da empresa; nem se prontificaram a indemnizar pelos prejuízos e custos adicionais.

E é por falta de planeamento e organização que os clientes e ficam insatisfeitos. Mas poucos reclamam, pois segundo o autor inglês que citei atrás “os portugueses são como os burros e as mulas, que no seu país abundam; com alguma habilidade, podem ser conduzidos como se quiser, mas não se devem forçar e é com eles piano, piano se va lontano “.
Naturalmente, com esta organização e métodos de gestão não é possível aumentar os salários e apesar dos baixos salários os produtos portugueses são caros.

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