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Saída Sul de Vigo: chega de mentiras

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Saída Sul de Vigo: chega de mentiras

Ideias

2019-03-26 às 06h00

Xoan Vázquez Mao Xoan Vázquez Mao

Nos últimos tempos, e provavelmente devido ao período pré-eleitoral, temos ouvido muito ruído sobre a saída sul de Vigo, com notáveis inexatidões. É que as declarações dos políticos nas eleições são como a brama dos veados quando estão no cio. Assim, se me permitem, gostaria de esclarecer algumas questões.

1.- A saída sul de Vigo, estava aprovada, e fazia parte da obra ferroviária Ferrol-Tui. O ministro socialista de Zapatero, Jose Blanco assinou a ordem para levantar as tuneladoras ao chegar a San Lorenzo de Vigo e cancelar as obras da saída sul. Está no Boletim Oficial do Estado espanhol.

2.- O financiamento Europeu não depende em absoluto de se integrar ou não no Corredor do Atlântico. Está catalogado como troço transfronteiriço, pelo que o financiamento se pode pedir JÁ, quando o governo central quiser. Amanhã, esta semana ou na próxima. QUANDO APETECER ao Sr. Ministro de Fomento. Assim que deixemo-nos de manobras de distração e de falsos choros de carpideiras sociopolíticas.

3.- O argumento utilizado pelos responsáveis do Ministério de Fomento de este depende que Portugal tome a iniciativa, é simplesmente MENTIRA. Curiosamente é o mesmo argumento que utilizava outra ex-ministra socialista de triste memória, e arguida no caso dos ERE, Magdalena Álvarez, para parar as obras do comboio entre a Galiza e Portugal. Dizia publicamente que não avançava, porque Portugal não avançava, mas paralelamente negava a Portugal um acordo sobre a bitola da via, para que Portugal não avançasse e assim ter uma desculpa para não fazer nada. Portugal já tem obras em todo o traçado até à fronteira que estará em funcionamento no primeiro semestre de 2019, com comboios equivalentes ao Alvia espanhol. Entre Lisboa e Corunha, NUNCA HAVERÁ AVE, porque há uma paragem importante a cada 30/60 kms. E um AVE tem de acelerar e desacelerar, assim como um avião tem que descolar e aterrar; e em distâncias tão curtas não é possível alcançar velocidades altas de forma rentável. Portanto o argumento do Ministério espanhol para paralisar a saída sul é um argumento mal-intencionado e falso.

4.- Ligar o AVE a CERDEDO é, com todo o respeito, como ligar um hospital a uma clínica de cirurgia estética. Entre outras coisas porque a variante de CERDEDO nunca se vai fazer, e já é hora de alguém dizer publicamente o que todos dizem em privado, incluindo muitos dos que aparentemente o promovem, apenas por conveniência conjuntural ou posição política. Quando se discutem 400 milhões de euros que é o que custa a saída sul, dos quais 50% seriam suportados pela Comissão Europeia, ninguém pode acreditar que vão investir 3000 milhões por um capricho político, que apenas procura tapar a vergonha de não terem sido capazes de chegar a acordo os que agora o propõem, quando o AVE ia entrar em L por Vigo até à Corunha, e um ministro do PP, Álvarez Cascos, decidiu unilateralmente a entrada em Y desde Santiago. Sabem onde estavam então os próceres que agora o defendem? A lutar entre si pelo controlo da Caixanova, da CEP, da Câmara de Comércio e do Concelho. Eu vivi isto, não mo contaram.

5.- O senhor Presidente da Xunta de Galicia deveria ser mais prudente nas suas declarações e aprovar uma petição oficial ao governo por parte do Conselho de Governo da Xunta. Como fazem os bascos e como fez o Parlamento Galego. Porque durante todos os anos do governo do seu partido NÃO ABRIU A BOCA para reclamar a saída sul, nem o corredor do Atlântico. E esse que era o único barão do PP com maioria absoluta, que para o que serviu… É o que se chama de milagre de Pedro Sánchez: os mudos, agora falam. E até ressuscitam os três tenores!!!

6.-Por último, os pseudodirigentes económicos que agora descobrem o lobbysmo, e fazem apelos à pressão e à unidade, possivelmente para desviar a atenção dos problemas das suas empresas, deveriam recordar que estiveram caladinhos durante o governo do PP, e até faltaram a reuniões de lobby, como a Cimeira de O Barco de Valdeorras, clamorosamente boicotada por ordens superiores. Assim, deixemo-nos de tanto ruído e passemos ao que realmente importa: a saída sul apenas necessita de duas ações, que podem ser tomadas já amanhã: 1.- Trazer a público o Estudo Informativo Prévio da saída sul de Vigo, e 2.- Solicitar a Bruxelas os 50% de cofinanciamento pela sua condição de Troço Transfronteiriço. Tudo o resto são mentiras, enganos e posicionamentos. Dizendo-o com todo o respeito, naturalmente.

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