Correio do Minho

Braga, quinta-feira

#SaúdeParaTodos

O Concurso Nacional de Leitura em Famalicão

Escreve quem sabe

2018-04-10 às 06h00

Analisa Candeias

E se todos, mesmo todos, tivessem acesso à saúde? Não a serviços de saúde básicos e primários, mas serviços de qualidade, amplos, de promoção e prevenção. E se todos, mesmo, todos, pudessem alcançar, diariamente, a mesma quantidade de alimentos e água, ou um saneamento eficaz que dispensasse contaminações e doenças? E se todos, mesmo todos, pudessem ser vacinados de igual forma? Ter as mesmas consultas de saúde? Serem aconselhados de igual forma naquilo que é um estilo de vida saudável?
Era muito bom. Não, minto. Era qualquer coisa extraordinária. Extraordinária tal como a beleza que existe no planeta. E a diversidade. E as culturas, as danças, as rezas, as vidas. Era algo tão extraordinário que, só a ideia da sua concretização, faz mover mil e uma pessoas. E faz mover também a vontade de querer mudar, de querer construir um mundo mais saudável para todos.

70 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) faz, este ano, 70 anos. Está uma senhora, com a experiência adquirida desde 1948, após os anos infantes no rescaldo da II Guerra Mundial. Esta Organização tem como fundamento construir um melhor futuro para todos aqueles que existem no mundo. Um futuro saudável e com saúde. A OMS tenta conquistar níveis de excelência, contribuindo para uma maior coerência mundial no que diz respeito às condições de saúde e alcançando bons indicadores neste âmbito. Trabalhando tanto na promoção da saúde como na prevenção da doença, a OMS tenta igualmente criar condições nos países menos favorecidos para que as próprias pessoas sejam agentes de mudança. As suas ações são diversas, desde a formação de profissionais de saúde como à educação dos povos, a ajuda aos governantes na gestão da saúde nos seus países, ou a luta contra a pobreza e o apoio em situações de guerra.

Ao longo dos anos, a OMS tem assumido um papel substancial na definição da saúde mundial. No passado dia 7 de abril, sábado, assinalou-se o Dia Mundial da Saúde, cujo tema este ano é Cobertura Universal de Saúde: para todos, em todo o lado, direcionado à missão que a OMS tem desenvolvido nestes últimos 70 anos, em que foco se centra no direito à saúde de todos e para todos. Este foco, de tão extraordinário que é, sustenta a ação da OMS há mais de meio século, e sustenta ainda aqueles que trabalham nesta orga-nização, aqueles que são parceiros ou os outros que cooperam com as suas atividades.

Alguns factos mundiais podem ser apresentados para que este foco ainda se mantenha atual:
i) pelo menos metade da população mundial ainda não tem acesso total a serviços de saúde básicos;
ii) cerca de 100 milhões de pessoas são empurradas para uma situação de pobreza extrema por terem de pagar por serviços de saúde;
iii) quase 12% da população mundial gasta cerca 10% do seu orçamento familiar em serviços de saúde. Assustador, certo? Extraordinariamente assustador. E estes dados são fornecidos pela OMS no seu site, disponível a todos aqueles que possam aceder à internet, pelo que são do conhecimento geral. O que me leva a perguntar: e o que é que cada um de nós tem feito para minimizar esta situação? Qual a nossa ação individual? O que podemos fazer mais? Considero que pequenos passos fazem grandes ações, e que cada um de nós tem uma responsabilidade marcante no que diz respeito ao desenvolvimento da sociedade, da economia, da cultura e, neste caso, da saúde.

E, agora, vamos imaginar. Imaginar que todos se alimentam adequadamente. Que todos têm água potável em casa e não precisam de andar quilómetros por 2 ou 3 litros desse bem essencial à vida. Imaginar que todos os bebés são pesados, medidos e avaliados por profissionais de saúde com formação adequada. Que todas as crianças têm acesso a uma sala de aulas, com lápis, canetas e cadernos. Imaginar que todas as pessoas no mundo com diabetes sabem alimentar-se e são acompanhadas nesse processo. Que todos aqueles que apresentam doença mental são acompanhados na sua comunidade e pela sua família, e que não são recambiados para celas em instituições. Que todos têm acesso aos medicamentos que necessitam. Vamos imaginar. Se todos tivessem acesso à saúde.

Nota - site da Organização Mundial
de Saúde: http://www.who.int

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