Correio do Minho

Braga, terça-feira

Sacos de plástico: e depois da taxa?

Confiança? Tínhamos razão.

Ideias

2016-02-03 às 06h00

Pedro Machado

A taxa sobre os sacos de plástico leves, no âmbito da fiscalidade verde, foi introduzida há quase um ano.
Decorrido este período, já se podem tecer algumas considerações sobre as consequências da famigerada taxa.
A primeira constatação que qualquer pessoa facilmente faz é de que os sacos de plástico leves praticamente já não são distribuídos, o que é excelente para o Meio Ambiente. Os super e híper mercados apresentaram ao cliente diferentes opções: sacos reutilizáveis, de papel ou de plástico mais grosso (não sujeito à taxa mas com o mesmo custo de 10 cêntimos), outros comerciantes, lojas de roupa por exemplo, substituíram-nos pelos de papel, apenas alguns pequenos comerciantes absorveram o custo da taxa.

Em termos fiscais a medida previa um encaixe de 40 milhões de euros, segundo o Ministério do Ambiente, este foi de apenas 1,5 milhões. Em termos ambientais foi um sucesso, pois a utilização de sacos de plástico diminuiu drasticamente e era isto que a medida pretendia.
A verdade é que o consumidor rapidamente se adaptou e, hoje em dia, a tarefa de levar os sacos quando se vai ao supermercado faz parte da rotina. Cada vez mais, devemos dar ênfase ao enraizamento desta cultura de levar o saco para as compras.

No entanto, no que diz respeito ao acondicionamento dos resíduos indiferenciados, o plástico continua a ser utilizado. No caso da Braval, visualmente, os sacos de supermercado deixaram de ser avistados no aterro sanitário, em vez disso aumentou a utilização de sacos próprios para lixo.
Na caraterização de resíduos (estudo que consiste na identificação e quantificação da composição dos resíduos urbanos indiferenciados) que a Braval efetuou em maio, verificou-se um aumento percentual de filme plástico na amostragem dos resíduos urbanos (em 2016: 7,11%; em 2015: 4,96%; em 2014: 4,21%). Dado que os dados dizem respeito a peso, este facto pode ser explicado pela utilização de sacos próprios para lixo, mais grossos e mais pesados.

A alteração substancial sentida tem a ver com a recolha seletiva (ecopontos). Em 2015, foram enviadas para reciclar menos 73 toneladas de filme plástico, comparativamente com o ano anterior. Esta redução significa uma diminuição de 18%!
Uma vez que a diminuição em termos de embalagens, comparativamente com 2014, foi de apenas 0,4%, podemos concluir a diminuição do filme plástico está ligada à introdução da taxa sobre os sacos de plástico leves.

Os sacos de plástico de hipermercado não eram apenas usados para acondicionamento dos resíduos indiferenciados, também eram muito usados para o transporte de resíduos para o ecoponto e, sendo também eles recicláveis, eram depositados no contentor amarelo. O receio era de que, o fato de os sacos serem pagos, desincentivasse a separação de resíduos, felizmente as quantidades de resíduos recolhidos seletivamente nos ecopontos aumentaram.
Ganhou o Ambiente, ganhamos todos nós!

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