Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Rostos da violência doméstica

Um futuro europeu sustentável

Escreve quem sabe

2014-11-09 às 06h00

Joana Silva

Ver um casal sorridente de mãos dadas, abraçados ou aos beijinhos pela rua pode não ser efetivamente sinónimo de felicidade. Na realidade, as quatro paredes de uma casa podem esconder muita coisa … choro, tristeza, angústia, medo. Através da comunicação social e também do trabalho desenvolvido por associações e instituições apercebemo-nos do aumento deste flagelo social nos últimos tempos, que infelizmente em casos graves tendem a culminar na morte, seja por parte do agressor (normalmente através do suicídio) ou da vítima.

A violência doméstica pode encontrar-se presente em lares de família que aos “olhos sociais” (de vizinhos e amigos) se manifestam harmoniosos mas que na realidade podem não o ser. A violência doméstica afeta ambos os géneros (na maioria mulheres, mas também homens), não escolhe estratos sociais ou idades (crianças que testemunham a violência, adultos e até idosos). Por conseguinte, abarca diversas feições de violência desde a psicológica ou emocional, física, sexual e a financeira.

De uma forma sucinta, e na prespectiva de estudos de especialistas, o agressor tende a ter múltiplos comportamentos face à vitima com o intuito de intimidá-la ou fazer prevalecer a sua vontade quer seja através de: ameaças; agressões físicas; o amedrontar a vitima através de olhares agressivos ou atitudes; o estragar de pertences; humilhação através de linguagem imprópria; projeção da culpa da situação para a vitima; negação da existência dos episódios de violência doméstica; o confinar contactos sociais (onde vai, com quem fala e quanto tempo demora); e a gestão do dinheiro da vitima (dar um “x por mês”) ou o “assenhorear-se” do vencimento da mesma.

As investigações desenvolvidas neste âmbito, destacam como características da vítima, o “conformismo” da mesma face à situação (o sentir que “já não tem forças”); a dependência, no sentido em que apesar do registo de violência contínua a vítima acredita que o agressor irá melhorar o seu comportamento. Todavia, quando todas as hipóteses de melhoria do comportamento “caem por terra” tende a aceitar porque não consegue idealizar outras alternativas por receio de não ter dinheiro para sobreviver por exemplo, pela privação dos filhos e pela solidão de ficar sozinha.

Por sua vez, o agressor, pode apresentar seguintes características: a possível “aprendizagem” deste comportamento agressivo pela vivência do problema durante a infância; o consumo de drogas ilícitas e lícitas; e até por problemas de competências interpessoais e de auto estima (por mecanismo de defesa age em sentido inverso, é uma pessoa frágil emocionalmente em que a mesma não se sente bem com ela própria mas que procura mostrar que é forte através do domínio e de outras pessoas).

Apesar dessa realidade há quem não entenda a gravidade da situação pela verbalização de opiniões “menos felizes” e distanciadas da verdade como por exemplo: “Porque não o deixa? É porque quer e não está assim tão mal então!”, “Se lhe bateu é porque contribuiu para tal”, “ Quis casar com ele, mesmo sendo mau para ela em namoro, agora tem/deve aguentar ao menos que seja pelos filhos”. Na realidade a vítima pode não dispor de recursos (casa, dinheiro) que permita a distância do agressor.

Aguentar uma relação que se sustenta na violência é e será sempre prejudicial para os filhos. Ninguém tem o direito de maltratar outrem e por esta mesma razão, as situações de violência doméstica devem ser denunciadas junto das autoridades. É crime e um atentado à vida. Permita-se ser feliz! Não se convença da expressão “ Entre marido e mulher ninguém mete a colher”. Somos pessoas, hoje por todos (as) os que atravessam esta situação, amanhã talvez por nós …não estamos livres.

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