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Rodrigues de Carvalho - O fundador do primeiro Correio do Minho

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Rodrigues de Carvalho - O fundador do primeiro Correio do Minho

Ideias

2022-03-20 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Os meios de comunicação social exercem na nossa sociedade um papel insubstituível, ao ponto de ser difícil imaginar uma sociedade sem meios de informação.
Uma imprensa livre e isenta contribui de forma decisiva para uma sociedade democrática e mais próspera. Os jornais são, neste sentido, verdadeiras atas públicas da sociedade.
No plano regional, há a destacar o jornal “Correio do Minho”, cuja primeira edição surgiu a 6 de julho de 1926, com o diretor Álvaro Pipa. Fará este ano 96 anos.
O seu percurso já foi abordado por diversas vezes neste jornal, clarificando-se que antes de 1926 existiu um outro título em Braga com o mesmo nome: “Correio do Minho”! O primeiro número surgiu a 3 de janeiro de 1902, sob a égide de Rodrigues Carvalho.

Devido ao papel exercido pelo “Correio do Minho”, quer na nossa localidade, quer na nossa região, torna-se importante apresentar alguns dados acerca do percurso de Rodrigues de Carvalho, o seu fundador em 1902.
O título “Correio do Minho” foi criado por José Maria Rodrigues de Carvalho, um bracarense que se destacou no plano político, tendo ocupado cargos de grande notoriedade nacional, como o de Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente da Câmara dos Pares do Reino e Presidente da Assembleia Geral do Banco do Minho.
Os finais do século XIX e inícios do século XX foram marcados por conturbados momentos políticos, onde o bracarense Rodrigues de Carvalho participou de forma ativa na política nacional.
José Maria Rodrigues de Carvalho nasceu a 2 de abril de 1830 na rua do Souto, em Braga, rua que teve o seu nome (rua Rodrigues de Carvalho) desde 1897 até 1942, ano em que voltou a chamar-se rua do Souto.
Após concluir a sua formação em Direito, na Universidade de Coimbra, em 1852, Rodrigues de Carvalho exerceu vários cargos públicos e políticos. Foi delegado do procurador régio nas comarcas de Pinhel e de Barcelos e juiz de 2.º classe em Cuba, Póvoa de Lanhoso, Águeda e Valença.

O prestígio que desde cedo adquiriu esteve na origem da sua nomeação, pelo Governo, para arbitrar conflitos resultantes de questões associadas aos caminhos-de-ferro da Pampilhosa à Figueira da Foz, da Companhia Vinícola Portuense e da liquidação da fábrica de tabacos.
A nível político foi militante do Partido Histórico, logo no início da década de 1860, mas desfiliou-se desse partido para entrar em grupos mais radicais, que viriam a originar o Partido Reformista.
Referenciado como um dos “rapazes do Bispo”, uma designação atribuída aos jovens fiéis do Bispo de Viseu, veio mais tarde a filiar-se no Partido Progressista, de quem foi responsável máximo no distrito de Braga.
Em 1865, com apenas 35 anos, deu início ao seu percurso parlamentar, ao ser eleito Deputado pelo círculo de Guimarães. Seguiu-se a eleição por Melgaço, em 1868; por Monção, em 1869; por Guimarães, em 1870; por Arcos de Valdevez, em 1880 e por Viana do Castelo, em 1887.

Integrou as comissões de Legislação e da Fazenda (1868), de Negócios Eclesiásticos (1890) e de Paz e Arbitragem (1898). Na sua ação política, fez oposição ao governo do célebre Duque de Loulé.
Entre 13 de abril de 1887 e o final de 1888, exerceu o cargo de Presidente da Câmara dos Deputados. Pelo modo distinto como dirigiu os trabalhos parlamentares foi alvo de um reconhecimento dos seus pares, na sessão de 13 de agosto de 1887.
Exerceu ainda o cargo de presidente da Câmara dos Pares do Reino, entre 11 de junho de 1897 e 28 de dezembro de 1900.

Em relação a assuntos de Braga, ficou associado ao projeto de lei que visava a conceção do antigo Convento de Santa Teresa, em Braga, ao asilo de inválidos da capital do Minho (12 de março de 1881).
O bracarense Rodrigues de Carvalho envolveu-se, em 1886, na célebre tensão entre Braga e Guimarães, tendo presidido à comissão de defesa dos interesses de Braga, acontecimentos que precipitaram a queda do último Governo de Fontes Pereira de Melo.
Em 1901, Rodrigues de Carvalho foi incumbido, pelo Conselheiro José Luciano de Castro, para reorganizar o Partido Progressista no distrito de Braga, criando então o “Correio do Minho”, cujo primeiro número saiu a 3 de janeiro de 1902, em substituição de “Progressista”. Tinha Manuel José de Castro como editor e a redação funcionava na Rua dos Congregados. Tratou-se de um jornal que durou até 1907.
Em 1926 voltou a publicar-se o título “Correio do Minho”, agora sob a direção de Álvaro Pipa.

Rodrigues de Carvalho foi Presidente da Mesa da Assembleia-Geral do Banco do Minho desde 8 de fevereiro de 1902 até à data da sua morte.
Este bracarense foi militante, primeiro do Partido Histórico, depois do Partido Reformista e, finalmente, ingressou no Partido Progressista.
Passou o último mês da sua vida em Paris, para onde se deslocou na expectativa de melhorar das complicações resultantes de uma operação. Aí faleceu a 30 de julho de 1908.
Logo na sessão legislativa de 1 de agosto de 1908, a Câmara dos Pares prestou-lhe homenagem. Foi-lhe também atribuída a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
O cadáver de Rodrigues de Carvalho só chegou à estação de Braga no dia 10 de agosto de 1908 e o funeral realizou-se no dia seguinte na igreja dos Terceiros, perante uma multidão de pessoas, destacando-se algumas das mais relevantes figuras do distrito de Braga.
José Maria Rodrigues de Carvalho foi o autor do título “Correio do Minho”, que se iniciou em 1902. Álvaro Pipa reabilitou-o, a 6 de julho de 1926.

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