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Voz às Escolas

2021-09-20 às 06h00

João Andrade João Andrade

Embora todos queiramos ver a luz ao fundo do túnel da pandemia atual, a mesma parece insistir em afastar-se de nós. Há alguns meses, esperaríamos que o arranque deste ano letivo, face à percentagem de vacinação da população portuguesa, incluindo a jovem, ocorresse já livre dos constrangimentos maiores a que nos vimos obrigados no ano transato.
Mas a incerteza do comportamento da Variante Delta do SARS-CoV-2 em contexto escolar, em particular face a um Inverno que se avizinha, levam a que arranquemos o presente ano exatamente com as mesmas medidas com que terminámos o último, até para se construir uma melhor perceção da diferença entre a variante prévia e a atual, face aos mesmos procedimentos. Mas com a esperança de que a resistência da população, construída entre a recuperação de infetados e vacinados, permita que as correntes medidas sejam algo de claro curto prazo.

Se assim não for, entendemos que, enquanto nação, temos uma decisão difícil pela frente, porque não se vislumbra um plano B face à atual pandemia, outro que não seja o reforço recorrente das atuais vacinas. Todos esforços que fizemos e os prejuízos que causamos às nossas crianças e jovens tiveram como fim não só diminuir os danos físicos e a mortalidade consequentes à pandemia, mas também conferir tempo aos sistemas de saúde e à ciência para encontrar soluções.
Se se constatar que o contexto futuro não venha a ser muito distinto do atual presente, com partes da população sempre infetadas e, muito tristemente, sempre com alguma mortalidade associada, teremos de decidir, séria e conscientemente, onde vamos traçar as linhas vermelhas para os diferentes danos: entre a mortalidade, em muito casos incompreensível, e os danos permanentes a gerações sucessivas de jovens, que se constroem com seríssimas limitações de socialização e de educação, enfrentando o futuro sempre de máscara no rosto. Para além, obviamente, da continuidade dos inúmeros outros constrangimentos socioeconómicos que a gestão da pandemia obriga.

Nos diferentes Órgãos do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, uma decisão tomamos desde já, que implica uma inflexão significativa em relação ao passado recente e a vontade de uma mudança de tónica: não deixar de praticar nenhuma atividade pedagógica que se entenda válida ou necessária, somente por causa da pandemia. Os clubes e oficina funcionarão presencialmente, as vistas de estudo poderão realizar-se, as feiras e eventos voltarão a ocorrer. Obviamente, em cada uma e de acordo com o momento da pandemia na altura, todas as precauções pertinentes serão tomadas. Mas a prioridade será sempre a consumação dos atos educativos que se entendam relevantes.

Mas também as necessárias aprendizagens em relação ao que possa ter corrido menos bem no ano transato foram feitas: por exemplo, o relatório PISA for Schools, a que o Município de Braga aderiu, ao mesmo tempo que mostrava que os alunos da Escola Secundária de Alberto Sampaio, em Matemática, alcançaram um resultado “significativamente superior” que a média Nacional e da OCDE (6,1% E 6,7% acima, respetivamente), mostraram também que 31% dos alunos se queixaram do barulho como uma das condicionantes do seu desempenho, dado as portas das salas de aula necessitarem de estrar abertas, por razões de ventilação. Dado se ter apreciado que significativa parte desse barulho era originado pelos alunos em trânsito para e de as aulas de educação física (por razões de exiguidade de balneários, em 2020/2021 as salas de aulas regulares funcionavam como vestiários), este ano, três salas de aula de um bloco mais isolado da ESAS foram convertidas em vestiários.

Este é o ano em que entrará em vigor um Projeto Educativo Renovado e em que se fará a revisão do nosso Regulamento Interno. Pretendemos o retorno à centralidade do ato educativo e a constante busca da melhor resposta à especificidade de cada um dos nossos mais de 3200 alunos e respetivas famílias. Para tal seremos 320 docentes permanentemente ativos, cerca de uma centena de assistentes técnicos e operacionais, cinco técnicas superiores (três psicólogas, uma técnica de serviço social e uma terapeuta da fala), a que se juntam todos os formadores das Atividades Extra Curriculares, todas as equipas que executam o Apoio às Famílias nas diversas freguesias, os técnicos do Centro de Recursos para a Inclusão, as diversas equipas do Município de Braga e os demais nosso parceiros da envolvente. Todos em constante sinergia com os primeiros interessados, os pais e as famílias.
É esta a malha, a rede multidirecional adaptável de linhas que se intercetam e afetam mutuamente, dotada de múltiplo nós organizadores intercomunicantes, que se propõe cuidar no presente e garantir o futuro das nossas crianças e jovens.
Criando o Rizomai de Alberto Sampaio.
Todos os anos o nosso agrupamento escolhe uma palavra norteadora e agregadora, a explorar em toda a sua polissemia, para o desenvolvimento do Projeto Educativo. Este ano a centelha é Rizoma.

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