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Rio+20: sucesso ou retrocesso?

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Ideias

2012-06-27 às 06h00

Pedro Machado Pedro Machado

Chegou ao fim mais uma cimeira internacional dedicada ao Ambiente, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável - Rio +20 e, mais uma vez, os resultados não são muito palpáveis, aliás, como já referi é mais do mesmo.
Corremos o risco destas cimeiras não serem levadas a sério, uma vez que o resultado é sempre considerado um fracasso, pelos ambientalistas, e um sucesso pelos políticos, que afirmam que se deram passos importantes.

Neste caso em particular, os ambientalistas consideram que o acordo conseguido “não avança, não tem ambição e não conseguiu encontrar as soluções de que o mundo precisa”.
Segundo os responsáveis da cimeira, o acordo final “contém uma série de acções que, caso sejam implementadas e, caso as medidas de acompanhamento sejam tomadas, irão fazer realmente uma enorme diferença na criação de uma mudança global positiva. É um texto de compromisso, no qual os países tiveram que dar e receber para alcançar progresso.”

A ideia principal presente no documento acordado é a sustentabilidade nas políticas, isto é: a necessidade de estabelecer metas de desenvolvimento sustentável e mobilizar o financiamento para o desenvolvimento sustentável, bem como a promoção do consumo e produção sustentáveis. Salienta também a necessidade de incluir as mulheres, as organizações não-governamentais e os grupos indígenas na agenda do desenvolvimento sustentável e convida o sector privado para se envolver em práticas sustentáveis de negócios corporativos.

Paralelamente à cimeira Rio+20, realizou-se a Cimeira dos Povos, constituída por movimentos sociais e populares, sindicatos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo, envolvendo mais de 50.000 pessoas. A ideia foi chamar a atenção dos políticos para que ouçam os apelos da sociedade civil.

Há 20 anos, no mesmo local, realizou-se a Eco-92, na qual se denunciaram os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo, o tempo veio demonstrar que não só esta situação se veio a confirmar, como ocorreram mesmo retrocessos significativos.

Já noutras crónicas referi que, apesar de achar que deve haver um equilíbrio, é, de facto, lamentável que os decisores políticos internacionais e os grandes empresários mundiais se preocupem exclusivamente com as grandes margens lucrativas, menosprezando as questões climáticas e ambientais, persistindo na degradação do meio ambiente. Nem com a constituição do Mercado de Carbono se conseguiu reverter a situação.

Os decisores não querem tomar decisões importantes pois estão nos cargos temporariamente e, depois deles, virão outros a quem passarão a “batata-quente”, deixando as decisões para “amanhã”. No entanto, há que ter noção que o amanhã é já ali e que, a continuarmos nesta direcção, corremos o risco de chegar a um ponto sem retorno possível.
Dever-se-á, acima de tudo, retirar avanços importantes de cada uma destas cimeiras, evitar o colapso das negociações, caso contrário, a confiança nas Nações Unidas, que começa a esmorecer, será posta em causa.

É pena não deixarmos o Planeta tão bem, ou melhor, do que estava quando formos gerados.
Como já referi, são gastos milhões nestas cimeiras para, no fim de contas, terminarem em mais do mesmo!

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