Correio do Minho

Braga,

Ricardo Rio, o Aprendiz de Feiticeiro

Como sonhar um negócio

Ideias Políticas

2014-03-11 às 06h00

Pedro Sousa

Passaram-se poucos meses desde que RRio e a Coligação Juntos por Braga, tomaram conta, por expressa, esclarecida e esclarecedora vontade do povo, dos destinos da CMBraga.
RRio foi, em 2002, eleito Presidente do PSD-Braga.
Iniciou, nestes anos, devo de reconhecer, um processo de oposição mais estruturado, metódico e organizado que o PSD-Braga não tinha, antes de si, sido capaz de afirmar.

Mas a sua oposição pecou por ser uma oposição muito negativa. Uma oposição que disparava contra tudo, criticava e maldizia tudo. Faltando na reflexão que suportava essa crítica e esse registo de oposição, a assunção de que em Braga, cidade e concelho que desde a implantação da Democracia se desenvolveu, cresceu e progrediu tanto e em tantos domínios que se alcandorou ao Olimpo, afirmando-se, sem dúvidas, como a terceira Cidade do País, por cada coisa menos bem feita ou mesmo mal feita (também as houve e não foram poucas) havia três ou cinco bem feitas ou mesmo muito bem feitas.

Se RRio tivesse, enquanto líder da oposição, tido a grandeza de somar às críticas que faziam sentido a capacidade de reconhecer e de enaltecer o que era bem feito não teria, hoje, a necessidade de interpretar o papel de aprendiz de feiticeiro que tantas vezes tem interpretado e que tão mal lhe fica.

Lembro-me de muitas vezes, a pretexto da dialéctica política que necessariamente se estabelece entre o poder e a oposição, ter citado estudos nacionais e internacionais que colocavam Braga como uma referência nacional e europeia relativamente a muitos indicadores importantes ao nível do desenvolvimento económico, social e humano e de os ver serem, constantemente, desvalorizados por RRio e seus pares.

Lembro-me, também, de muitas vezes ouvir RRio criticar com uma violência quase perturbada a política da CMBraga em relação à Protecção Civil, dizendo que esta era verdadeiramente terceiro-mundista, recordo constantes críticas ao facto de Braga não ser uma Cidade capaz de atrair e fixar investimento, lembro-me, ainda, de há bem pouco tempo, a pretexto de um debate em período eleitoral, ter ouvido RRio dizer (quero acreditar que apenas o fez toldado pelo calor do momento) que o Centro de Braga era: “... um deserto”.

Pois bem, os estudos que até há uns meses atrás eram desvalorizados e desconsiderados são hoje, pasmem-se, valorizados e enaltecidos. Continuam a colocar Braga como uma cidade de referência em muitas coisas. Um deles, levado a cabo por uma consultora insuspeita, mediu as cidades em três dimensões: Negócios, Visitar e Viver e, sem surpresa, reconheceu Braga como a terceira cidade. Interessante é notar que, desta vez, este estudo foi elogiado, enaltecido e tido em conta como instrumento de trabalho e de reflexão para o futuro.

A protecção civil municipal, sem que seja conhecido nenhum investimento de monta ao nível da aquisição de novos equipamentos, de novos meios, passou de terceiro-mundista e “...parente pobre do investimento municipal” para passar a estar “... bem apetrechada com os recursos disponíveis”.

A cidade deixou de ser um deserto, deixou de ser uma cidade onde não havia estratégia, nem ambiente, nem contexto para a atração de investimento para, a pretexto da apresentação do Programa InvestBraga, ser dada como uma referência ímpar de uma cidade atractiva, inovadora, enérgica, capaz e virada para o futuro.

Terá Braga mudado assim tanto em cinco meses? Não, não mudou. Houve, de facto, algumas mudanças nos últimos meses que deixam antever diferenças entre a governação de RRio e a anterior. Algumas delas, inclusive, em que eu me revejo. Sucede que eu não cheguei a Braga após 29 de Setembro.

Aqui nasci e aqui vivo há cerca de trinta anos e é por isso que nunca me poderia rever nesta tentativa de reescrever a história, neste “frissom” ilusionista de mera cosmética política que com recurso a umas quaisquer tintas mágicas quer fazer parecer que até 29 de Setembro de 2013 só havia coisas más ou menos boas em Braga e que desde essa dia é tudo bom, bonito, incrível e todas as demais palavras elogiosas de que nos possamos lembrar!

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