Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Retrocesso

Da falta que as tentações nos fazem

Ideias Políticas

2016-05-10 às 06h00

Hugo Soares

O País tem assistido à escolha de políticas públicas que há muito pensei estarem arredadas de um Portugal com os olhos postos no futuro. O preconceito ideológico imposto pelo BE e pelo PCP ao governo de António Costa está a custar ao País milhões em investimento, mas sobretudo empurra-nos para um caldo de cultura que nos transporta para os inícios da década de oitenta.

A verdade é que o Portugal saído da revolução de Abril teve a ambição de soltar das amarras de uma ditadura que toldou horizontes e a coragem de não se deixar prender por outras - perigosas como a anterior - mas de cariz marxista e leninista. O caminho foi escolhido pelos portugueses que encontraram no Partido Socialista e no Partido Social-Democrata o centro político capaz de construir uma democracia de sucesso, europeísta, cosmopolita e solidária. Foi no PS e no PSD que os Portugueses confiaram o desenvolvimento de um País que estava estatizado e fechado à iniciativa privada.

Não podem restar dúvidas: durante os últimos 40 anos Portugal cresceu, desenvolveu-se, os portugueses passaram a viver melhor, a almejar mais e concretizou um Estado Social dos mais eficazes e garantísticos que há no mundo. É evidente que se cometeram erros graves; é óbvio que não se fez tudo bem; exemplo disso mesmo são as três pré-bancarrotas que vivemos. A última das quais, fruto de uma década (a de 2000) perdida que culminou com a governação catastrófica do Eng. Sócrates que atirou Portugal para uma das maiores crises de que há memória.

Os efeitos dos desmandos Socráticos (esse mesmo que agora tira selfies em inaugurações de obras que outros salvaram do abandono, evitando novas faturas paras as gerações futuras) ainda hoje se repercutem na vida dos portugueses e deixaram marcas duríssimas. Mas também aqui não vale a pena “tapar o sol com uma peneira”. Não se confunda os efeitos da “doença” com a cura. Será que alguém - sem partidarites e de bom senso - acha que um País saí de uma situação de bancarrota sem sacrifícios altíssimos?

Ora, vale a pena então questionarmos a razão pela qual o PCP e o BE puseram sempre em causa o que conquistámos para trás e até a própria construção europeia (que ontem celebrámos). A razão é só uma: as escolhas que os portugueses fizeram em meados da década de setenta e efetivaram durante os anos oitenta não serviram os interesses de partidos que tudo querem, que a todos querem controlar, que invejam a iniciativa privada e cujos exemplos conhecidos de governação (veja-se Cuba ou, mais recentemente, a Grécia) são modelos falhados de miséria e aflição dos seus povos. É mesmo assim.

A questão ganha relevância - que não teria de outra forma - quando o PS, numa deriva maniqueísta pelo poder, se acantona com a esquerda radical. Pior: olhando para aqueles que parecem ser os protagonistas de futuro do PS esta deriva parece mesmo ser ideológica. Ou seja, Portugal perdeu definitivamente um segundo partido ao centro. PS, PCP e BE advogam a tese do orgulhosamente sós. A europa está toda enganada. Portugal cresceu, mas não valeu.

O desemprego desceu, mas não adianta. As contas públicas foram deixadas em ordem, mas de pouco vale. Estas máximas servem apenas de mote à construção do argumentário para as decisões políticas mais retrógradas de que tenho memória. A mais recente decisão da FENPROF, do BE e do PCP (respaldada pelo PS e por um Ministro da Educação completamente incompetente) de perseguirem até à extinção as escolas com contrato de Associação com o Estado, é o mais cabal exemplo de tudo quanto aqui procurei expor.

Uma sanha persecutória à iniciativa privada e ao que de bom e de qualidade o País também tinha; tudo assente na ideia de que o Estado - qual Big Brother - tem de tudo providenciar (ainda que mais caro, com pior qualidade e desfavorecendo a igualdade de oportunidades).
Aqui em Braga, e daqui da tribuna que o Correio do Minho me concede, quero dizer aos alunos, professores, pessoal não docente e a toda a comunidade educativa da Alfacoop (Externato Infante D. Henrique) que podem contar comigo: eu não quero o País a andar para trás.

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