Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Responsabilidade

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2015-10-27 às 06h00

Pedro Sousa

Passaram-se já mais de vinte dias desde a data das eleições legislativas, o já longínquo 4 de Outubro.

Assumindo uma postura grave e séria nesta reflexão, aquela que, no meu entender, se impõe em matérias desta natureza, convém reconhecer que, em muitas circunstâncias, vinte dias não é muito tempo.

Sucede que no caso em apreço, principalmente depois de Cavaco Silva, durante a campanha eleitoral, ter dito que tinha todos os cenários estudados e de o cenário (uma vitória da PÀF, por maioria relativa e um Parlamento em que o PS, o PCP e o BE viriam a compor maioritariamente os lugares da Assembleia da República) que acabou por se confirmar ter sido aquele que, nas últimas semanas, todas as sondagens e estudos de opinião apontaram como sendo o mais provável, é incompreensível que, a poucos dias de se completar um mês da data das eleições, Portugal continue num emaranhado político absolutamente desconcertante que, estou certo, só contribuirá para agudizar a desconfiança e o afastamento dos Portugueses das instituições políticas, actualmente já tão depreciadas, conforme comprova o facto de nas eleições do passado dia quatro a abstenção ter batido todos os recordes.

Numa democracia madura e em que todos os procedimentos democráticos estejam devidamente consolidados não faz nenhum sentido que se passe tanto tempo e que o país esteja, ao fim de vinte e três dias, em suspenso e sem que se vislumbre uma solução segura, estável e sólida que permita, como todos pretendemos, ultrapassar este impasse.

A Grécia, não sendo termo de comparação em muitas dimensões, nesta questão é um belo exemplo. A este respeito, podemos, por exemplo, lembrar que ainda recentemente houve eleições na Grécia e que no espaço de dois ou três dias foram cumpridas todas as formalidades, desde a indigitação do Primeiro-Ministro, à tomada de possa de governo.

Regressando a Portugal, não posso deixar de destacar, pela negativa, o papel de Cavaco Silva que, desde a primeira hora, assumiu uma postura parcial, verdadeiramente de facção, excluindo, sem mais, alguns partidos do espectro da governação e desvalorizando os votos de quase um milhão de portugueses, facto que ficou bem claro na comunicação que fez em país e que tornou ainda mais nebulosa e difícil a definição de todo o quadro político-governativo.

Tudo isto traz Portugal numa encruzilhada e numa indefinição que deixa todos ou quase todos os Portugueses preocupados pelo que, e a contrário do exemplo de Cavaco Silva, todos os actores, da esquerda à direita, TODOS SEM EXCEPÇÃO, devem e têm de estar à altura das suas responsabilidades, colocando, sem hesitações, os interesses do País e dos Portugueses acima de qualquer veleidade pessoal e partidária.

Este é um tempo exigente, um tempo difícil e, se perante este contexto, os políticos e os partidos, os que ganharam e os que perderam, não estiverem à altura da sua responsabilidade, os Portugueses, cada vez mais afastados dos partidos e dos políticos, não lhes perdoarão e poderemos assistir ao eclodir de fenómenos radicados nos extremismos e nos fundamentalismos que, infelizmente, já vão marcando a paisagem política de muitos países europeus.

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