Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Resistência

Bernardo e Maria

Ideias

2014-10-21 às 06h00

Analisa Candeias

Estranhamos cada vez mais, numa sociedade tendencialmente e infelizmente individualista, que a união faça a força. Parece quase que não é “deste tempo”, a compilação de forças na sociedade para contrariar algo que se considera não se encontrar pelo melhor e mais correto. Porém, identicamente parece, de forma quase imediata e após a vivência do dia-a-dia e do que este acarreta, que cada vez mais esta união é necessária e urgente.

Temos vivido de forma quase sobressaltada e no limite. Limite das notícias de última hora, limite dos orçamentos, limite dos gastos, limite da pobreza, limite da saúde e limite dos nossos equilíbrios. Talvez, nesta altura, seja tempo de descansar e de permitir que a união estabeleça os seus próprios limites, dentro do limite que é o respeito com e para o Outro.

Em Enfermagem, e no desenvolvimento da sua história, muitas vezes a união fez a força e desfez a força. Revolvemos políticas, ideologias, princípios e fundamentos. Fomos mesmo políticas, ideologias, princípios e somos fundamentos. Ainda hoje é necessário e urgente fazer e desfazer. É essencial que a nossa resistência estabeleça, neste momento, a força para sermos ouvidos e respeitados. Aliás, esta união deve ser como algo contínuo, constante e quase incómodo.
Precisamos de ser incómodos e de nos mantermos, como Enfermagem, ativos em sociedade.

O incómodo, e os limites em que o mesmo se inicia por tocar, poderão ser facilitadores e impulsionadores da vivência interna da Enfermagem em maior e melhor coerência. Ao sermos enfermeiros, todos como uma Enfermagem, incorporamos a união que é necessária apresentar ao exterior para melhores condições e realizações da profissão. Ao sermos enfermeiros, como um ativo da sociedade de que fazemos parte, proporcionamos ao Outro os cuidados de saúde que merece e pelos quais igualmente contribui.

Ao sermos enfermeiros, todos em incómodo, proporcionamos avanços e indecisões - essenciais para o equilíbrio da melhoria. Proporcionamos existências reais, baseadas em necessidades das diferentes populações. Proporcionamos cuidados que, quando em consonância com uma só Enfermagem, são vitais para o bem-estar do Outro.

É imperativo para a Enfermagem ser e pertencer a este tempo. Como não nos colocarmos em moda e tendência? Afinal, o tempo que corre oferece um salto para a frente na nossa história e desenvolvimento, oferece uma oportunidade de criar, de ser criativo e irreverente. De ser e estar. De ser e estar em união para o avanço e a conceção da indecisão.

Não são necessárias ruturas. Não são obrigatórias as quebras indissolúveis e radicais. É apenas o (re)aparecimento de uma Enfermagem como corpo único e sólido, o motivar para a coerência e ânimo para com a profissão. É o estimular a sociedade a incentivar-nos a nós, enquanto Enfermagem deste tempo, para a união que a defende e que a protege, que cuida dela e que a promove como mais sociedade.

A vivência no limite e com limite cansa. Aborrece. Corrói. Faz danos no dia-a-dia e nos nossos equilíbrios, tanto internos como externos. O sobressalto provoca ansiedade, medo, fraqueza até. Permitamo-nos o descanso da união, a procura pelo que é comum entre mim e o Outro e que nos poderá levar ao estabelecimento real dos nossos fundamentos.

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