Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Resista ao açúcar

Aprender a viver sustentavelmente com o Programa Eco Escolas

Escreve quem sabe

2012-04-15 às 06h00

Ana Ni Ribeiro

Nas últimas semanas quem não viveu rodeado por doces? Quem resistiu aos doces da Páscoa? Raros são os que se acusam, recusando uma fatia de pão-de-ló, um saco de amêndoas, um bombom ou alguma outra sobremesa. O problema da sobremesa nos restaurantes, dos lanches nas pastelarias ou das receitas caseiras da época não se reflecte apenas no perímetro da cintura. É que este excesso de açúcar típico das festas não é amigo da saúde. Sobretudo porque se junta a outros abusos gulosos que se cometem durante todo o ano.
Estudos científicos confirmam: ouro branco, como outrora o açúcar foi chamado por ser um bem raro e só ao alcance das classes privilegiadas, traz graves malefícios ao organismo. Além de poder estar na génese de doenças como a obesidade e a diabetes, o açúcar pode contribuir para a hipertensão, aumentar a fragilidade das artérias ou debilitar o exército defensivo de glóbulos brancos, reduzindo a imunidade e abrindo a porta à doença.
O açúcar, tal como o ingerimos hoje em alimentos e bebidas industrializados, pode ter um papel activo no desenvolvimento de infecções fúngicas e no agravamento de alguns tipos de artrite, sobretudo nas mulheres. Outra má notícia é que o consumo excessivo deste hidrato de carbono, destituído de qualquer valor nutritivo, parece estar associado a distúrbios ósseos, já que colabora na desmineralização e descalcificação do esqueleto.
Mais preocupantes talvez sejam os resultados de pesquisas que, nos últimos anos, têm ligado o crescente consumo de açúcar, em todas as suas variantes, com o aumento de casos de cancro no mundo desenvolvido. São muitos os cientistas que parecem convencidos de que algumas células cancerígenas se alimentam desta substancia para mais facilmente se dividirem e assim rapidamente se multiplicarem.
Assustado? Se a sua gulodice é daquelas que exige doces todos os dias, é altura de começar a libertar o organismo desta toxina. Pode não ser fácil livrar-se dos bolos, gelados, refrigerantes ou chocolates, pois o açúcar, dizem os investigadores, ao mexer com neurotransmissores ligados à sensação de felicidade, consegue ser viciante.
Além destes produtos, que facilmente reconhecemos como ricos em açúcar, não faltam no mercado alimentos insuspeitos altamente açucarados, como refeições pré-cozinhadas ou alguns produtos magros.
Isto não quer dizer que os doces devem ser totalmente excluídos da nossa alimentação. Significa, sim, que se devem evitar os excessos diários ao longo do ano, guardando-se as sobremesas, como no tempo das nossas avós, apenas para os momentos especiais.
Leia os rótulos para descobrir os produtos com alto nível de açúcar adicionado. Atenção a iogurtes, sumos, leite achocolatado, cereais, tostas, massas, molhos ou refeições congeladas. Afastar as crianças desses produtos, não é castigá-las, é defender a sua saúde. Fora de casa, evite sobremesas e snacks doces. Quando o corpo pedir açúcar, engane-o com tisanas e chás com sabor.
Sem abusos diminui-se o risco de o doce se tornar amargo.

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