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Voz às Escolas

2021-03-08 às 06h00

João Andrade João Andrade

Como tantas outras coisas na vida coletiva, também as palavras – e os conceitos que lhes atribuem - são sujeitos a modas. É esse o caso atual da palavra “resiliência”. No entanto, esses modismos são sempre uma oportunidade para refletir sobre uma ou mais das dimensões da nossa vida, individual ou coletiva.
É esse o caso da palavra “resiliência”, mais do que pertinente numa nação que se aproxima, a passos largos, de 900 anos de memória coletiva.

Nas palavras de John Volmink, do Movimento Ubuntu, a “resiliência é a capacidade de superar o limite do sofrimento” na busca de um fim. Algumas das mudanças mais significativas que aconteceram na história recente da humanidade partiram de superiores exemplos de resiliência. Atente-se aos exemplos de Mahatma Gandhi ou Nelson Mandela, ou a obstinada persistência que tem levado à disseminação e prevalência da democracia no mundo.
Mas também refere John Volmink que “Os fins que defines devem ser congruentes com o que mais valorizamos”, porque, “somente se assim for, teremos a força necessária para superar as dificuldades”. Será esse o traço transversal à luta dos direitos humanos no Ocidente, à queda da Cortina de Ferro, à queda das ditaduras na América do Sul, África e em grande parte da Ásia ou à Primavera Árabe.
No dia 16 do mês passado, foi apresentado o Plano de Educação e Resiliência, que é, de acordo com o Governo, a revisitação dos trabalhos da estratégia Portugal 2030 perante a emergência de saúde SARS-CoV-2, nele definindo medidas mitigadoras de curto e médio prazo, com vista à recuperação e resiliência da economia e da sociedade portuguesas.

O Plano, de aplicação nacional e com um período de execução até 2026, pretende implementar, com recursos que ascendem a cerca de 14 mil M€ de subvenções, um conjunto de reformas e de investimentos que, em caso de sucesso, permitam ao país atingir um crescimento económico sustentado, intencionando o objetivo de convergência com a Europa ao longo da próxima década.

Embora o Plano, assente na Estratégia 2030, reitere a necessidade de “reduzir a percentagem de adultos, incluindo jovens, em idade ativa sem o nível de ensino secundário; alcançar um nível de 60 % dos jovens com 20 anos que frequentem o ensino superior, com 50 % dos graduados de educação terciária na faixa etária dos 30 -34 anos até 2030;” e refira também a necessidade de reforço da Educação Inclusiva, parece-nos que, em concreto e no que concerne à Organização Escola, em particular a Escola Pública, a sua ação concretamente definida se circunscreve, no imediato, à Capacitação Digital e ao respetivo Plano de Transição, como se tal fosse o principal problema ou desafio da escola atual. O contexto pandémico, efetivamente, veio evidenciar as limitações da estrutura tecnológica, não só das escolas, mas também da nacional. No entanto, temos de ser capazes de ver para além da atual pandemia. Como muito bem refere o Conselho das Escolas, na sua contribuição para o processo de consulta em vigor, “É necessária uma estratégia, e os correspondentes investimentos, capaz de valorizar a carreira docente e de atrair os jovens à formação profissional na docência, sob pena de o PRR, na componente da Escola Digital, perecer por falta de professores qualificados ou, simplesmente, por falta de professores”. Não atentar a esta realidade, da premência de docentes qualificados, motivados e com espaço de ação nas escolas, bem como de jovens que vejam claramente na educação uma porta para um futuro melhor, a estratégia digital poderá resumir-se a um conjunto de equipamentos que em pouco tempo ficarão obsoletos.

Relembrando John Volmink, resiliência tem que assentar naquilo que mais valorizamos. A educação digital é somente uma das partes de algo maior e fundamental da vida de todos, a Educação.
Se há algo que a atual Pandemia tornou claro, é a necessidade de o Estado assegurar, para todos e em igualdade, aquilo que é básico e essencial. Neste momento, ninguém discute a necessidade de um Sistema Nacional de Saúde forte e abrangente. Os primeiros heróis da resiliência nacional foram os seus profissionais, sejam eles médicos, enfermeiros ou auxiliares de saúde, diferentes nas suas funções, mas iguais no desafio ao risco na proteção de todos nós.
O futuro de Portugal pós pandémico assentará, como sempre, na defesa e qualidade - para todos, como a Constituição e as Leis de Base preveem - dos pilares fundamentais do nosso Estado de Direito. Sendo a Educação - e a Educação Pública – claramente um deles.
Resiliência é ter a consciência desse essencial e reerguemo-nos teimosamente na sua defesa.

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