Correio do Minho

Braga,

Resiliência e humor

A vida não é um cliché

Ideias

2012-10-12 às 06h00

Margarida Proença

Esta semana, num daqueles tristes acontecimentos que por vezes temos de estar presentes, fiquei impressionada com o elevado número de pessoas - todas, aliás , do sexo feminino - com mais de 90 anos que lá estavam. Com a exceção de duas, com algumas limitações visíveis, todas estavam com um aspeto ótimo, muito bem arranjadas, claramente com plenas capacidades cognitivas . Lindo.

Lembrei-me disto agora com alterações de novo na idade e nas condições da reforma. É obvio que principalmente face às expetativas criadas ninguém gosta das novidades: mais tempo para trabalhar, menos dinheiro pós reforma. Mas na verdade compreende-se que não há grande volta a dar.

Nos países da OCDE a evolução tem sido no sentido de aumentar a idade da reforma, mas também em alguns casos a aprovar incentivos para que as pessoas continuem a trabalhar por diversas formas; a Dinamarca por exemplo, diminuiu a atratividade dos esquemas de adesão voluntária à reforma. Para quem tiver interesse, o ultimo relatório da OCDE sobre este tema (2012) lista as diversas medidas adotadas, por país.

Com algumas variantes mais ou menos imaginativas, o resultado previsto é sempre o mesmo - diminuir os custos do sistema, torná-lo sustentável num mundo onde cada vez mais se vive uma vida mais longa na pós-reforma.

Em 2060 (OCDE), será de esperar que a proporção de despesas públicas pagas através de contribuições caia de 88% para 64% ; e entretanto, a expetativa de vida deverá aumentar até lá mais 3 anos para os homens, e 3,5 anos para as mulheres. Isto é, se se considerar uma mortalidade baixa, os 65 anos de agora corresponderão a cerca de 68 anos.

No fundo, descobrimos todos assim um bocado de repente que os efeitos de um nível de vida mais saudável, com melhor qualidade e com muito melhor acesso a cuidados de saúde colocava problemas cuja resolução passa por benefícios mais baixos e/ou idade da reforma e contribuições mais altas. E deve sublinhar-se que estes problemas, e esta gama de medidas de correção não traduzem necessariamente a garantia pública de prestação de uma pensão de reforma . Os fundos de pensões privados também foram afetados .

Enfim, o que irá acontecer não sei; é fácil prever em ciências exatas, muitíssimo arriscado em ciências sociais. As notícias que nos esperam nos próximos anos deverão ser apesar de tudo nesta linha...

De qualquer forma, o que é espantoso é a capacidade inovadora humana, e a capacidade de abstração, a resiliência dos portugueses, que no meio de toda esta crise, deste processo doloroso de ajustamento encontram razões para rir, e dessa forma dar a volta. Mas que vai preciso sermos inventivos e partirmos para outra, isso vai…

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