Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Regresso forçado à casa dos pais

O que nos distingue

Escreve quem sabe

2015-01-18 às 06h00

Joana Silva

Antigamente, 18 anos personificava o início da independência em que a “saída para o mundo” era consensual e definitiva. Hoje, os jovens tendem a sair cada vez mais tarde da casa dos pais e há quem vá e quem regresse à casa dos mesmos. Os motivos que pautam esse mesmo regresso são vários desde: o desemprego; o divórcio; horários laborais “demasiado apertados”; o surgir de problemas ligados à saúde, problemas que advém da emigração em que na procura de uma vida melhor num outro país, a pessoa em questão propende a vender o património no país de origem e quando já no país de acolhimento, sente que as expectativas dessa mesma idealização de vida são defraudadas, e quer regressar ao seu país.

Ora se para uns o regresso a casa dos pais é pacífico para outros não! O retorno implica, a adaptação de rotinas e regras de outros e não das suas, partilha da dinâmica familiar de onde tantas vezes sobreluz a típica expressão “Debaixo do meu teto mando eu.”, transferida alguns casos para a perda da privacidade (a célebre enunciação: “ter de dar satisfações”). Numa vertente mais psicológica e emocional, este regresso pressupõe também um ajustamento psicológico das personalidades, em que frequentemente os “feitios” nem sempre coincidem e sendo diferentes podem mascavar a harmonia familiar.

Convém realçar que, não existem apenas “contras” desse mesmo regresso mas sim igualmente aspetos positivos, que se imprime na famosa expressão “Pensão completa: cama, comida e roupa lavada”. Permite ajuda/suporte financeiro nomeadamente para quem regressa com filhos aumentando assim a qualidade de vida e também a tranquilização emocional numa das fases de vida de maior vulnerabilidade.

A harmonia familiar depende muito dos tipos de personalidades e da forma como comunicam entre si, e da dinâmica familiar anterior (famílias funcionais versus disfuncionais), sendo que é, basicamente estes aspetos que são o pilar central da “nova” adaptação. Sendo assim, é necessário comunicação e negociação entre as partes, evitando assim conflitos ou interpretações erradas que posteriormente podem cortar laços familiares. Tal como num relacionamento de casal para ser bem sucedido há que se fazer cedências de ambas as partes e em que não pode prevalecer “a razão” de uma só parte, também aqui é necessário que cada um exponha o seu ponto de vista por forma a obter um consenso.

Se por um lado, por parte de quem acolhe, torna-se necessário compreender que não se espera que um filho que saiu de casa há muitos anos e agora com descendentes tenha que ter obrigatoriamente as mesmas regras que tinha quando em adolescente ou até mesmo em solteiro. Importa igualmente perceber que todas as pessoas tem hábitos, posturas e formas de estar diferenciadas, onde por exemplo, se outrora os amigos reuniam-se ao domingo à tarde ou no final da missa, hoje encontram-se nas saídas à noite (normalmente é um dos pontos de maior discordância porque frequentemente são exigidos horários em que a X horas o “recolher é obrigatório”).

Não importa os gostos de cada parte, o mais importante é que esses mesmos gostos permitam a confraternização e descomprimam o stresse de uma longa semana de trabalho. Para quem retorna, importa perceber que por mais que as ideias e opiniões não sejam “adequadas” aos tempos modernos, são essas mesmas pessoas que se prontificaram a ajudar no momento delicado que atravessa. As discussões podem ser evitadas se respeitados os hábitos já existentes mas também não descurando os seus mas tudo com “peso e medida” (ex. avisar com antecedência que não vai a casa).

Compreende-se que estar em casa dos pais não é o mesmo que estar na sua própria casa e fazer atividades tais como jantar às 23h00, ou arrumar a casa quando bem entende ou apetece. No entanto não custa ceder e jantar às 20h00 ou colaborar nas atividades domésticas quando solicitada ajuda. Muitas das tensões internas emocionais devem-se à impulsividade das palavras no acumular de situações. Daí a importância da assertividade. Se porventura regressou a casa dos seus pais, pense, fale e aja mais com o coração do que com a razão.

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