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Regresso ao ensino presencial

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Regresso ao ensino presencial

Voz às Escolas

2021-03-15 às 06h00

Jorge Saleiro Jorge Saleiro

Um ano após o primeiro confinamento e o correspondente primeiro encerramento das escolas, vamos iniciar o processo de retoma das aulas presenciais. Um ano que, para as escolas e para os seus profissionais, pareceu interminável, tantos foram os desafios que tiveram de ultrapassar.
Formulada por muitos como “reabertura das escolas”, esta designação não podia ser mais equívoca. Desde que foi definido o regresso ao Ensino Não Presencial, as escolas nunca encerraram. Para além das suas obrigações administrativas e de manutenção e conservação dos espaços, foram muitas as escolas que mantiveram as portas abertas para acolher os alunos, não só os educandos dos trabalhadores de serviços essenciais, como alunos com necessidades de medidas de suporte à aprendizagem e inclusão, mas também todos os alunos cuja condição não lhes permitia acompanhar o Ensino Não Presencial a partir de casa, num esforço de minorar o impacto nas desigualdades que este modelo pode implicar.
Não nos podemos esquecer que o país não é todo igual. As condições de acesso aos meios tecnológicos é demasiado variável para se presumir que todos têm as mesmas condições de acesso, mesmo após a entrega dos equipamentos informáticos e de comunicação que o Ministério tem vindo a facultar. Por exemplo, as variações da força do sinal de internet e da largura de banda não permitem uma equidade de acesso às aprendizagens.
Por isso, e como tem vindo a ser cada vez mais claro, o ensino presencial é insubstituível e o seu regresso é visto com bons olhos. Este regresso, faseado, não está, no entanto, isento de problemas. Apesar de ser uma opção política legítima, a dissociação do terceiro ciclo do ensino secundário, neste plano de regresso ao ensino presencial, coloca problemas na sua implementação. De todos os níveis de ensino, o terceiro ciclo e o ensino secundário (incluindo os cursos profissionais), são aqueles que compartilham o corpo docente. Pré-escolar, primeiro e segundo ciclos, por norma, têm equipas docentes dedicadas em exclusivo a esses ciclos, com muito poucas exceções. Entre o terceiro ciclo e o secundário existe, com muita frequência, lecionação pelos mesmos docentes.
Esta circunstância, a confirmar-se, com as condições existentes nas escolas atualmente, implicará graves problemas para assegurar a coexistência de ensino presencial e não presencial, em simultâneo, por docentes que, nem sempre, terão os recursos adequados disponíveis para o fazer a partir das escolas. Falamos, entre outros fatores, da inexistência de equipamento informático adequado para o efeito e da insuficiente qualidade da ligação da internet disponibilizada pelo Ministério da Educação.
Ainda haverá tempo para mitigar alguns dos problemas, com a entrega de equipamento e o reforço da largura de banda a que as escolas têm acesso, mas não será muito e a história recente causa alguma apreensão. Sem resolver estas questões, talvez fosse mais indicado rever a opção de diferir o regresso do terceiro ciclo e do ensino secundário.
Esta medida tem um particular impacto no desempenho dos docentes e, por consequência, nas aprendizagens dos alunos. Seria de evitar mais uma condição potenciadora de iniquidades, neste já tão complexo ano escolar.
Por outro lado, e apesar de nos últimos dias terem proliferado as manifestações públicas de apreço ao trabalho dos professores, justas, mas que pecam por tardias e por virem a reboque dum estado de privação, será tempo de, pelo menos, não complicar ainda mais a sua vida. Desde o início da pandemia, como desde sempre, os professores portugueses contaram, apenas, consigo próprios para fazer face aos desafios colocados, respondendo-lhes massivamente, socorrendo-se do seu brio profissional, buscando autoformação e empregando recursos próprios.
Apesar de todas estas considerações, de novo fica claro que qualquer plano de desconfinamento e de regresso ao ensino presencial só funcionará se, fundamentados na Ciência, observarmos comportamentos solidários e responsáveis.

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