Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Recuperar a gestão dos CTT, defender os serviços públicos

Dia de sol

Ideias Políticas

2018-02-27 às 06h00

Carlos Almeida

Na passada semana, chegou à Assembleia Municipal de Braga, pela voz do PCP, uma moção em defesa do serviço público dos CTT. Sobre o tema são conhecidas a posições políticas que têm vindo a ser defendidas pelos diferentes partidos com assento parlamentar. Tem sido, aliás, bastante curioso observar como alguns dos principais responsáveis pela destruição desta estratégica empresa nacional assobiam para o lado quando se trata de perceber como chegámos aqui.
Perante um cenário catastrófico, que prevê o encerramento de mais estações e anuncia o despedimento de centenas de trabalhadores, o PCP, que sempre rejeitou e lutou contra a gestão privada dos Correios, não tem poupado esforços, lado a lado com os trabalhadores e as populações, para defender o serviço postal público e os direitos de quem trabalha na empresa.

Dizia eu que chegava a vez da Assembleia Municipal de Braga se pronunciar sobre o processo em curso de reestruturação dos CTT, importando recordar que, apesar de no actual momento não estar previsto o encerramento de estações na cidade de Braga, nada garante que tal não venha a acontecer, desde logo porque há bem pouco tempo vimos encerrar os serviços na loja do cidadão, em São Vicente e nas Enguardas.
Para além disso, as implicações decorrentes de mais despedimentos ou, ainda, dos contínuos processos de alienação de património, são por demais causas evidentes da degradação dos serviços prestados pelos CTT. No entanto, podendo parecer inverosímil, a administração da empresa não se tem coibido de proceder à distribuição de dividendos aos accionistas muito acima dos lucros registados.
Em suma, aquilo a que estamos a assistir configura os resultados expectáveis da privatização de uma empresa altamente rentável, estratégica, que presta um serviço indispensável à população e ao país. Resultados que não são in- dissociáveis da ganância despudorada dos grupos económicos que controlam a empresa.

A moção do PCP propunha, por isso, uma avaliação de todas as consequências do processo de privatização dos CTT e das implicações que se colocam no presente e para os próximos meses, bem como a recuperação do controlo público dos CTT, em moldes a considerar, que garantam um serviço postal que sirva as populações, a economia nacional e o país, em condições de igualdade.
Da votação, sublinhe-se o voto favorável do PS local, a acompanhar as propostas do PCP, o que é de saudar, mas está, infelizmente, em objectiva discordância com PS nacional, que insiste em não abrir caminho ao processo de reversão da gestão privada. Estranhamente, ou talvez não, a coligação PSD/CDS, que na Assembleia da República desdobra-se em números circenses para manifestar preocupação com os serviços dos CTT, por cá, longe das televisões, optou por chumbar a moção do PCP. Talvez seja um primeiro sinal de reconhecimento de que são os principais responsáveis pela situação, uma vez que foram quem consumou a privatização da empresa. E se assim é, estamos de acordo. Os portugueses devem saber quem são os culpados pela destruição dos serviços públicos, neste caso, dos Correios de Portugal, mas também de muitos outros que ao longo dos anos têm servido para alimentar uma certa horda de capitalistas insaciáveis.

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