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Recordar 2012

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Ideias

2012-12-31 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Oano de 2012, que terminará daqui a poucas horas, ficará na nossa memória como um dos piores anos da nossa história recente.
Atendendo às dificuldades que o nosso país atravessou neste ano torna-se importante fazer um pequeno balanço dos aspectos que, na nossa região, de uma forma positiva ou negativa, mais nos surpreenderam.

Como aspectos negativos, e por mais estranho que possa parecer, no ano de 2012 ocorreram, na nossa região, mais de uma dezena de mortes na agricultura. Uma parte delas verificou-se nos concelhos de Barcelos e Vila Verde, e ficaram marcadas principalmente por tractores que tombaram por cima dos agricultores. Estranhíssimos acidentes em pleno século XXI!

Outro aspecto negativo que presenciamos ao longo de todo o ano, foram os constantes assaltos a gasolineiras, ourivesarias e caixas de multibanco, ou roubos de tampas de saneamento ou fios de cobre. Associado a estes assaltos, registaram-se várias agressões violentas a idosos, muitos deles de idade avançada (mais de 80 anos) e a viverem sozinhos em casa.
De grande pendor negativo foram, ainda, as várias situações de miséria e de fome que se verificaram nas nossas escolas. Quem vive por dentro estas situações (alunos com uma refeição por dia, com calçado e roupa gastos de tanto uso, com rostos envoltos em tristeza e carência) sente uma revolta assombrosa…

No ano que agora termina, há a destacar ainda as inúmeras empresas que encerraram, cuja lista era praticamente impossível aqui elencar. Pelo impacto e surpresa que causou não podemos esquecer, no entanto, o encerramento da empresa FDO, que deixou no desemprego centenas de pessoas. Aliás, o aumento do desemprego verificado no distrito de Braga foi, ainda, um aspecto verdadeiramente preocupante e assustador, cujo fim parece não estar nada próximo.
Quero, finalmente, aqui recordar duas pessoas que nos deixaram ao longo deste ano, e cujo percurso a nossa sociedade mui-to lhes deve: o engenheiro e político Eurico de Melo e o Professor Doutor Amadeu Torres, no- tável investigador na área da Linguística.

Não querendo, de forma alguma, focar-me apenas nos aspectos negativos que ocorreram no ano de 2012, quero apresentar alguns exemplos que, pelo envolvimento e entusiasmo que causaram na nossa região, merecem agora ser recordados e elogiados.
Momento positivo no ano que agora termina foi obtido pelos atletas Emanuel Silva e Fernando Pimenta, que conquistaram a medalha de prata nos Jogos Olímpicos “Londres 2012”, na modalidade de K2 1.000 metros.

Da freguesia de Mouquim (V. N. Famalicão), vem o exemplo do jovem José Carvalho, que está a obter grande sucesso na produção de morangos, com a sua empresa ‘Hortivolátil’.
Outro aspecto positivo centra-se no evento histórico-cultural ‘Braga Romana’, que ocorre em Maio, e que envolve milhares de pessoas e atrai visitantes de todo o país. Também o ‘Presépio de Priscos’, que ocorre nesta época festiva que estamos a viver, merece uma referência de grande amplitude. Estes dois projectos nasceram há poucos anos e torna-se difícil imaginar esta região sem eles.

Importa ainda destacar a renovação urbana que Braga está a sofrer, apesar de algumas críticas que foram feitas. De facto, quem se lembra de algumas ruas ou artérias de Braga antes desta renovação urbana, só por desvairamento pode considerar negativos estes melhoramentos urbanos. Pudera que os mesmos fossem efectuados na maioria das cidades portuguesas.
Por fim, quero referir-me aos dois acontecimentos que, de forma positiva, marcaram este ano de 2012. Trata-se de ‘Guimarães Capital Europeia da Cultura’ e de ‘Braga Capital Europeia da Juventude’.

Para alguns, estes eventos poderiam ter sido feitos de outra forma, com outra programação ou com outros intervenientes. Mas que estes dois acontecimentos que ocorreram neste ano de 2012 elevaram o nome de Braga e de Guimarães, não tenho dúvidas.
Em relação a Braga, a “porta ficou aberta” para que muitos dos eventos que se realizaram este ano possam ser repetidos nos anos seguintes; em relação a Guimarães, o renascimento da cultura que aí se verificou torna “obrigatória” a continuação da envolvência das instituições culturais nos próximos anos.

Finalmente desejo que, em 2013, todos os que contribuíram para os aspectos negativos verificados no ano que agora termina, possam rever as suas atitudes e contribuir com acções que ajudem a melhorar a nossa sociedade e o meio que nos envolve.
Da mesma forma espero que todos os que contribuíram para o crescimento da sociedade e da região, possam ter força e capacidade para manter essa atitude construtiva e ter cada vez mais seguidores.

Desejo, por fim, muita paciência e capacidade de sofrimento a todos os que viram as suas vidas profundamente alteradas no ano que agora termina, como consequência do medo que se instalou na nossa sociedade e das indescritíveis dificuldades pessoais e económicas que atravessam.

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