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(Re)Pensar no futuro... de Braga

A manifestação dos esfomeados em Braga

(Re)Pensar no futuro... de Braga

Escreve quem sabe

2022-10-18 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

Passaram cinco anos desde um dos maiores incêndios na cidade de Braga. Vimos uma das nossas encostas ser consumida por chamas que pintavam a cidade com os seus tons laranja, que nos remetiam para um verdadeiro inferno. Vimos os santuários do Bom Jesus do Monte e da Nossa Senhora do Sameiro ladeados por chamas e cada um à sua maneira pediu que tal tragédia terminasse! Foram evacuadas algumas zonas habitacionais, pois o fogo esteve descontrolado, tomando proporções que ninguém poderia prever.
Contudo, reconhecendo que ninguém poderá prever um incêndio, há sempre medidas que devem ser tomadas pelos governantes da cidade em conjunto com as entidades especializadas. Da mesma forma que qualquer edifício tem um plano de emergência e de evacuação, também uma cidade o deverá ter, para saber como atuar!
Após a catástrofe ocorrida, nada seria menos expectável do que uma reflorestação vigiada e organizada, porém não foi o que aconteceu. Quem sobe pela encosta, ardida em 2017, encontra uma absurda densidade de eucalipto, encontra terrenos por limpar e território por cuidar, o que nos leva a entender que essa área poderá estar nas mesmas condições, senão piores, das que levaram ao incêndio ocorrido.
Cinco anos volvidos de uma tragédia que não seria expectável, pois ocorreu devido à junção de vários fenómenos que se pensariam impossíveis de acontecer, deveríamos ter aprendido e tentar evitar as catástrofes, ou invés de no final tentar solucionar! Para ser possível evitar é necessário um plano de ação, é necessário repensar o território, analisar e replantar as áreas ardidas com consciência.
É urgente respeitar e valorizar a natureza para que haja futuro… se o planeta sofre com questões ambientais… Braga não será diferente!
Hoje em dia, todos devemos ter preocupações ambientais, valorizando as zonas verdes, estimando os recursos aquíferos, combatendo a poluição e, logicamente, pensamos que uma cidade não pode pensar, nem agir, de outra forma.
No entanto, para os governantes da cidade, ter futuro passa apenas por mais construção no centro de Braga que se mostra cada vez mais saturado. Com o aumento da construção, estamos a aumentar a área de solo impermeável, uma consequência que se irá demonstrar assim que chegarem as grandes chuvas e todos se queixarem que a água “encheu” as ruas de Braga, ficando muitas delas cortadas à circulação. Nessa altura, basta olharmos à volta e questionarmos como poderá a chuva escoar, sem ser pelos canais artificiais criados para o efeito e que todos os anos se mostram insuficientes. Afinal, ter dias com elevada densidade de chuva já não é atípico na nossa cidade, pois ter estradas inundadas acontece todos os invernos.
Ao analisar a construção de espaços como o Hotel Plaza Central, ou o aumento do Pavilhão das Goladas, chegando até à reabilitação da Fábrica Confiança, percebemos que na área que liga o centro da cidade à universidade a cidade irá perder, em todos estes projetos, área verde. Todas estas construções visam o desenvolvimento da cidade, mas seremos verdadeiramente uma cidade desenvolvida?
A JovemCoop não é contra a reabilitação de edifícios, somos dos primeiros a pedir para dar uma nova vida à fábrica Confiança, e até mesmo ao quarteirão das Convertidas, contudo, é preciso reconhecer a limitação dos espaços e não achar que vale tudo para se reabilitar os edifícios.
Estas construções irão ter impacto no solo, diminuindo os lençóis de água e, em alguns casos, destruindo os mananciais de água existentes. Não são recentes as notícias de que o planeta precisa poupar e valorizar o acesso à água, pois tem um desperdício excessivo, o que trará as suas consequências dentro de alguns anos.
No entanto, parece que em Braga, o que não se vê, não é importante. Para quê valorizar a qualidade do ar, ou cuidar do solo da cidade, se edificar é efetivamente o que se vê? Para alguns, é só na construção que se vê o desenvolvimento, mas não estará a qualidade de vida dos cidadãos também relacionada com desenvolvimento?

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