Correio do Minho

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Rankings vs Transparência

Por uma responsabilidade individual de protecção mais inclusiva

Voz às Escolas

2010-09-16 às 06h00

João Luís Dantas Leite João Luís Dantas Leite

Ao aproximarmo-nos da data de publicação dos rankings das escolas é importante que os encarregados de educação e os interessados nesta matéria tenham uma percepção, o mais clara possível, sobre o que está em causa quando analisamos os resultados e as várias componentes que constituem o sucesso dos alunos e da escola, não nos deixando influenciar por alguns títulos sensacionalistas dos meios de comunicação social.

Como escola pública, sentimo-nos à vontade para efectuar esta abordagem, atendendo aos bons resultados obtidos pelos alunos do 9.º ano deste agrupamento nos exames nacionais de Matemática e de Língua Portuguesa - respectivamente de 84% e 97% - num ano em que as médias nacionais desceram de forma acentuada. É de considerar que este Agrupamento assume uma prática de ensino que promove a inclusão de todos os alunos, sendo frequentado por 1900 discentes, 66 dos quais com dificuldades auditivas e 52 com dificuldades na área mental-motora (15 dos quais portadores de deficiência profunda, usufruindo de Currículo Específico Individual).

Da leitura de alguns jornais que, no ano anterior, publicaram várias análises dos resultados dos exames, verificamos que, a maior parte deles, apresentam como conclusão a discrepância entre a avaliação interna atribuída pelos professores e os resultados obtidos nos exames nacionais. Para nós, esta discrepância não se deve a uma menor exigência ou maior facilitismo por parte dos docentes mas sim à diferença de critérios de avaliação utilizados nos exames e na avaliação das aprendizagens ao longo do ano lectivo.

Nos exames nacionais apenas se tem em atenção a componente cognitiva (100%) enquanto a classificação final de ano resulta, na maioria das escolas, da soma de duas componentes: atitudes e valores (20%) e cognitiva (80%). Assim, parece-nos que a grande comparação a promover não deveria acontecer entre a avaliação interna e os resultados dos exames mas evidenciar a progressão dos resultados em cada escola relativamente aos obtidos pela mesma no ano anterior.

Os rankings das escolas têm servido de forma injusta para associar os melhores resultados escolares dos alunos às escolas privadas em detrimento da escola pública. Esta forma simplista de avaliar a escola esconde de forma grosseira, entre outros, os processos de selecção dos alunos que, não tendo a ver com questões de ideário ou projecto educativo, se focalizam nos resultados de excelência que estes já atingiram. Trabalhar com alunos motivados e famílias empenhadas é um elemento facilitador para o sucesso. Não existem estudos que sustentem que estas instituições tenham trazido mais-valias para estes alunos. Existem sim estudos, como o PISA, que demonstram que as escolas que obtêm melhores resultados são aquelas cujos alunos são oriundos de famílias social, economica e culturalmente mais favorecidas, desenvolvendo uma série de actividades extra escolares (nomeadamente explicações), incentivando os seus educandos para a aprendizagem. Esta situação reflecte e perpetua as desigualdades sociais de partida.

Nestas circunstâncias, os bons alunos serão sempre bons, quer façam a sua aprendizagem, movimentando-se em auto-estrada quer numa estrada nacional, chegando sempre a um porto seguro. Todavia, o percurso pela estrada nacional, sendo mais estreito e sinuoso, aproxima-os mais da realidade, promovendo maior interacção e dando-lhes uma perspectiva mais global do mundo em que estão envolvidos, o qual, enquanto profissionais, terão de enfrentar num futuro próximo. Este é, sem dúvida, o percurso da escola pública.

Nesta arena, a escola pública terá que se esforçar cada vez mais, quer nas práticas pedagógicas quer nas práticas organizacionais. Enquanto instituição pública, aceitamos este desafio. Não existindo estudos consistentes que sustentem as mais-valias induzidas pelas escolas, públicas ou privadas, nas aprendizagens dos alunos, caberá aos encarregados de educação fazer esta opção ideológica.

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