Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Rankings em novembro, Natal em dezembro

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Voz às Escolas

2014-10-09 às 06h00

José Augusto

Nas últimas semanas, esteve na agenda mediática a colocação de estudantes no Ensino Superior Público. Decorridas as duas primeiras fases, o tema, central para muitas famílias, merece a natural atenção da comunicação social. A propósito das vagas, das médias estratosféricas necessárias para entrar nuns cursos ou da penúria de candidatos em muitos outros, surgem as habituais opiniões oscilantes entre o paraíso e o caos.

Entre nós, portugueses, as atitudes bipolares em relação à realidade parecem ser uma característica genética. A facilidade com que, euforicamente, inchamos de orgulho só é comparável com a rapidez com que entramos em depressão. A desesperança está sempre a um pequeno passo da crença absoluta. As políticas públicas portuguesas também não fogem a este fado.

No que concerne ao investimento nas qualificações de nível superior, ora se prescreve a definitiva inutilidade de alguns cursos, como logo se apregoa a urgência de incentivar a sua procura. O berreiro cíclico contra o “país dos doutores e engenheiros” ignora a realidade esmagadora demonstrada pelo Censos 2011 que relata de uma taxa terceiro-mundista de portugueses maiores de 22 anos com o Ensino Superior completo - 15,1%. Assim, à introdução de barreiras ao acesso dos alunos dos Cursos Profissionais, dos Cursos de EFA e de outras vias de ingresso para pessoas em idade ativa; às restrições nos apoios sociais escolares; ao corte de vagas, em especial, nas instituições das regiões periféricas; ao discurso catastrofista dos “licenciados desempregados”, seguem-se, agora, programas salvíficos de incentivo à retoma da frequência dos cursos pelos que os abandonaram e anunciam-se estímulos económicos à procura de cursos nas Universidades e Politécnicos situados no interior do país.

Não alinho na discussão sobre a utilidade ou inutilidade deste ou daquele curso, nem me atrevo a pensar como é que aqueles que o fazem “educariam as massas” para escolher os cursos que eles acham úteis. Sim, porque o discurso sobre a “orientação dos jovens” para as formações/profissões que dizem ser necessárias é quase sempre um discurso que se refere, exclusivamente, aos filhos dos outros. Ainda bem que a esmagadora maioria dos jovens não lhes dá ouvidos!

Ao arrepio dos profetas da desgraça, os nossos alunos e as suas famílias continuam a acreditar na educação escolar como a melhor garantia de progresso social e individual. Fazem bem! Sabem-no porque tiveram, e têm, vidas muito esforçadas de trabalho e sacrifício. Estão dispostos a continuar esses sacrifícios, mas querem que os filhos estejam preparados para agarrar melhores oportunidades.

Na Escola Secundária de Caldas das Taipas (ESCT), os concursos de acesso ao Ensino Superior Público, trouxeram, uma vez mais, excelentes notícias. Na 1ª fase, a taxa global de colocação foi de 94%, ou seja, 5% acima da média nacional. Entre os novos diplomados (245), a larga maioria (63%) candidatou-se. Mais de 87% dos que concluíram em 2013/14 os Cursos Científico-humanísticos (177) foram candidatos numa das fases e TODOS (100%) ficaram colocados no Ensino Superior.

Haverá outras Escolas com números semelhantes, contudo, o que nos enche de orgulho é saber 41% desses alunos eram beneficiários da Ação Social Escolar, isto é, oriundos de famílias de baixíssimos recursos económicos (escalões 1 e 2 e abono de família). Sim, este é um ranking que nos interessa reclamar. Esta é uma área em que, como Escola Pública, queremos fazer a diferença: promover a qualidade da educação escolar sem abdicar da equidade e da promoção da igualdade de oportunidades.

Dentro de dias, o espaço mediático será, uma vez mais, ocupado com outros rankings. Em dezembro teremos o Natal e, para o ano, será tudo igual!

Face aos resultados dos exames nacionais, a ESCT deverá ocupar um lugar digno nesses rankings, aí pelo meio da tabela. Esses rankings têm alguma importância, embora ajudem pouco a melhorar o sistema de forma saudável e sustentável. Podia haver outros rankings? Podia, mas parece que estes são melhores para alternar entre a euforia e a depressão…

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