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Questões ambientais e autarcas

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Questões ambientais e autarcas

Ideias

2020-09-22 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

O Município de Guimarães alargou há dias o Sistema PAYT (Pay-as-you-Throw), sistema inovador que potencia a recolha selectiva de resíduos, a uma segunda área, envolvente ao Centro Histórico da cidade, numa decisão que beneficiará mais cerca de 2.500 munícipes.
Esta ampliação territorial do sistema de pagamento por resíduos produzidos, representa a consolidação de um programa municipal que arrancou em 2016, e demonstra claramente o acerto da opção política então tomada pelos autarcas vimaranenses.

Uma solução que sensibiliza os munícipes para as questões ambientais e os incentiva a terem maiores preocupações nessa área – quanto mais reciclarem menos pagam - e que, por essa via, os desonera de custos dispensáveis, só pode merecer grandes consensos. Aliás, este sistema tem sido alvo de curiosidade por parte de outros municípios e, desde a sua implementação em 2016, já arrecadou diversos prémios nacionais e internacionais.
Estranhamente, na capital do Minho, portanto a escassos quilómetros de distância, as questões ambientais não parecem ser tema que tire o sono aos responsáveis municipais. E este alheamento sucede numa altura em que os problemas ambientais do nosso planeta marcam, e bem, a agenda política a nível mundial.

As evidências de tal triste realidade local são inúmeras e bastará, talvez, lembrar como tem sido encarada a poluição no rio Este, onde se sucedem as descargas ilegais, para se perceber que a postura dos responsáveis autárquicos bracarenses deixa bastante a desejar. Mas também poderíamos falar dos constantes abates de espécies arbóreas, designadamente aqueles que não são suportados em razões de ordem técnica; ou da ausência de medidas para reduzir o congestionamento do tráfego automóvel, o que também contribui para que Braga ocupe um dos lugares cimeiros dos índices de poluição, devido aos gases com efeito estufa; ou das questões relacionadas com o ruído, sendo certo que frequentemente é a própria autarquia que o fomenta ou impulsiona; ou seja, são as questões ambientais e os efeitos nefastos que daí também decorrem para a saúde pública.
Mas concentremo-nos agora na gestão dos resíduos urbanos.

Fez no passado sábado dois anos, que o Executivo camarário apreciou e aprovou uma recomendação do PS, apresentada sob o lema “Braga – cidade amiga do ambiente”, na qual eram propostas medidas no âmbito das boas práticas ambientais. Na altura, a proposta dos socialistas também visava “amenizar e recentrar o investimento que a AGERE pretende fazer com o seu controverso e dispendioso projecto, o qual envolve a retirada dos contentores de reciclagem e representa um enorme retrocesso no que à proteção ambiental diz respeito, nesta que foi também uma cidade pioneira na introdução de sistemas de recolha de lixo reciclado.”
Basicamente, a recomendação ia no sentido de “garantir a implementação de mecanismos que promovam, sensibilizem e orientem os diferentes agentes turísticos para a utilização sustentável do meio ambiente, com vista à atribuição do título ECOLABEL” (selo de qualidade referencial de boas práticas ambientais), e da criação do ECOPASS, ou seja, um sistema digital que permitiria contabilizar a quantidade de resíduos que cada cidadão colocasse para reciclagem, a que equivaleriam pontos posteriormente trocados por descontos em serviços do Município.

Como está à vista, nada disto se concretizou, não obstante as enormes vantagens que resultariam de tais medidas para os munícipes, para as empresas e para a própria imagem da cidade. Perdeu-se assim uma oportunidade de dar um importante passo para transformar Braga num município mais ecológico, mais amigo do ambiente.

Assim, inversamente ao que sucede, por exemplo, em Guimarães, na sede do distrito as boas práticas ambientais ficam-se pela retórica, ou seja, esgotam-se numa enfadonha oratória sem qualquer correspondência prática com a realidade. Eu sei que a estratégia de repetir à exaustão um conjunto de conceitos e ideias e de anúncios de obras que nunca se iniciam, é o modus operandi da maioria que governa o município. Mas creio que já é mais do que tempo para passar das palavras aos actos, tempo para os autarcas fazerem aquilo para que foram mandatados pelos eleitores bracarenses, isto é, para resolverem os problemas nas mais diversas áreas de intervenção municipal. É chegado o momento de cumprir os pactos celebrados com os eleitores. Que diabo, já passaram sete anos desde que Ricardo Rio assumiu a presidência da Câmara Municipal de Braga, pelo que já é tempo de assumir as funções que incumbem ao cargo.

Dir-me-ão que até ao final deste segundo mandato, que ocorre dentro de pouco mais de um ano, ainda vão suceder diversas inaugurações mas tal não invalida nada do que aqui ficou escrito, bem pelo contrário. Os autarcas, todos eles, têm por missão dar resposta, no quotidiano, aos justos anseios das populações. Planear obras para inaugurar em datas próximas de eleições é uma habilidadezinha para tentar mostrar serviço, enchendo o olho aos eleitores mais desatentos, mas que desvirtua completamente a nobre missão de que estão incumbidos. Nessa medida, é uma postura eleitoralista que corresponde a um comportamento reprovável, sob o ponto de vista da ética política e da honestidade intelectual.

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