Correio do Minho

Braga,

Quem ganha, perde? E quem perde, ganha?

Escrever e falar bem Português: Um item complicado

Ideias Políticas

2015-10-13 às 06h00

Hugo Soares

Começo com uma singela pergunta a si que votou no Partido Socialista: fê-lo com a intenção que governasse uma maioria suportada no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista? Pergunto, agora, a si que votou no Bloco de Esquerda porque não confiava em António Costa e estava zangado com Passos Coelho: votou a imaginar a Catarina Martins como Vice- -Primeira Ministra? E, por último, questiono-o a si que votou no Partido Comunista Português e que passou a campanha eleitoral a defender a saída do euro e a reestruturação da dívida: já não acredita na solução “milagrosa”?

Portugal vive hoje um dos momentos mais interessantes da sua curta história democrática. Os portugueses votaram e a democracia (o tal sistema em que quem tem mais ganha, lembram-se?!) escolheu a Coligação Portugal à Frente para governar. E há um conjunto de democratas de lapela que entendem que quem tem que escolher o governo são os que juntos não tiveram 20% dos votos expressos. Quanto a estes - Comunistas e Bloquistas - estamos conversados! Não! Os senhores não mandam na democracia! Tentaram fazê-lo em tempos idos, mas o povo não deixou.

Mas, e o Partido Socialista?
O PS é por tradição, história e ideologia um partido moderado, de centro esquerda, da construção europeia e do arco da governação em Portugal e na Europa. A verdade é que o Partido Socialista português vive na encruzilhada mais difícil da sua existência. Se por um lado tem um líder que parece querer colocar a sua sobrevivência política acima dos interesses de Portugal, não se consegue definir na sua orientação. Vive no drama de georreferenciação política. Ou encosta à esquerda definitivamente ou rende-se à evidência que os Portugueses ainda não esqueceram quem levou o País à bancarrota e, em consequência, quer um PS moderado e responsável.

A fratura ideológica dentro do PS nunca foi tão evidente acentuada por uma liderança que transforma vitórias pequenas em derrotas (assim se “correu” com Seguro) e derrotas pesadas em vitórias de secretaria. Mas tudo isto, isto e o resto que aqui e para já me dispenso de analisar, diz respeito ao PS. O que a todos nos move e preocupa é o País.

Pode Portugal desperdiçar os últimos 4 anos, voltar a viver na aventura e correr o risco de ter novo resgate? Nenhum português o deseja. Podemos nós ver como já está a acontecer os juros da dívida soberana a aumentar e achar que podemos andar a brincar às reuniões “interessantes e construtivas” com a esquerda que defende a saída do euro e o não pagamento da dívida? Podemos ter o País sem governo porque a liderança de um qualquer partido, seja qual for, está em risco?
Em 2009, o Eng. José Sócrates ganhou as eleições legislativas sem maioria absoluta.

A então líder do PSD anunciou a sua demissão. Mas anunciou também que aprovava o Orçamento de Estado a apresentar pelo PS. Guterres governou 4 anos sem maioria parlamentar. O PSD deu a estabilidade que o País (não o PS, claro está) desejava e precisava. O PS tem hoje que perceber que garantindo condições de governabilidade a quem ganhou apenas está do lado do País e não de qualquer partido.

Volto às perguntas iniciais e respondo por si: não. A ninguém foi proposto uma coligação da esquerda moderada com a esquerda radical. Não tenho qualquer dúvida que se PCP, BE e PS concorressem juntos a Coligação Portugal à Frente teria maioria absoluta. Como também não tenho qualquer dúvida que a maioria dos Portugueses não admite uma Democracia de gaveta com golpes de asa de chico-espertos. Portugal merece muito mais…

Nos próximos dias saberemos quem governará Portugal. Não porque os portugueses escolheram. Mas porque há uns iluminados que acham que podem escolher pelos portugueses. Deixo já a minha certeza: aconteça o que acontecer eu já fiz o meu julgamento de quem lidera o PS. E não é bom…

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