Correio do Minho

Braga, sábado

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Que universidade queriam os estudantes, que universidade têm hoje?

Assim-assim, ou assim, sim?

Que universidade queriam os estudantes, que universidade têm hoje?

Ideias

2019-04-28 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Este foi o lema da programação organizada pela Universidade do Minho, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, a Fundação Bracara Augusta e a associação Civitas Braga, em torno da Crise Académica de 1969. Uma iniciativa levada a efeito ao longo do mês de abril e maio, no momento em que passaram 45 anos sobre a Revolução de Abril. Um marco histórico assinalado por um diversificado leque de cerimónias oficiais ao nível nacional e local, por iniciativa de um vasto espetro de instituições políticas, sociais culturais e académicas. Matizados pela dignidade e pela qualidade, das comunicações e dos respetivos programas, passando em revista os princípios e as conquistas alcançadas pela afirmação do ideário e da utopia de várias gerações, antes e depois do 25 de abril.
Uma programação, que integrou um debate realizado no salão nobre da Universidade do Minho, com a participação de Rui Vieira de Castro, reitor da UMinho, Nuno Reis, presidente AAUM, Licínio Lima e Wladimir Brito, docentes da UMinho, Cacilda Moura e Carlos Videira, ex-presidentes da AAUM, Armando Leal, Delfina Fernandes, dirigentes associativos da UMinho. Reflexão assente na relação com a história de consolidação do regime democrático, nas vivências, no estudo, na investigação, nas experiências, nas responsabilidades e nas perspetivas de construção de um futuro de grande incerteza e de exigência para os jovens em geral e para os estudantes e diplomados do ensino superior, em particular. Comunicações focadas na visão do passado em relação à universidade que queriam os estudantes, em contraponto com a universidade temos hoje, e nas perspetivas do ensino superior para o futuro.
Momento que reafirmou a consolidação de democracia, e refletiu os problemas e as preocupações de sempre, a que se juntaram os novos desafios e aspirações das pessoas, das instituições e do Estado. Uma nova realidade, que exigiu a promoção de condições e oportunidades sociais, culturais económicas e políticas, potenciadoras da mudança do sistema educativo, e do processo de formação de mão-de-obra qualificada ao nível científico e tecnológico. Mudança baseada numa dinâmica de experiências pessoais, de dimensão humanista e de desenvolvimento de competências sociais, adaptadas ao mercado trabalho do futuro e às novas formas de valorização do conhecimento, sustentadas pela nova cultura tecnológica e pela ética digital.
Abordagens centradas nas mudanças no ensino superior, no que concerne às práticas pedagógicas, realçando a necessidade de um novo perfil dos diplomados. A dimensão do conhecimento e da especialização, a criatividade e a atitude crítica, a comunicação e a interação, o desenvolvimento pessoal, a responsabilização e a ética, a adaptabilidade e a resiliência, a iniciativa e o empreendedorismo, dotando os estudantes com outro tipo de competências e aptidões. Nesta perspetiva juventude é, atualmente, uma condição social de geometria variável, que resulta de um vasto conjunto de fatores educativos, culturais e, sobretudo, socioeconómicos e geográficos, que consubstanciam um desígnio histórico e pedagógico, focado na vivência e na participação das novas gerações, na construção do futuro do nosso País, e da definição do seu posicionamento na sociedade global.
Os dirigentes estudantis que participaram no debate, afirmaram com convicção que “os estudantes não são um grupo social a quem a história acontece, e querem construir e ativar o seu próprio futuro”, definindo as suas aspirações e expetativas em relação à educação, ao emprego e à criação da sua identidade, a partir de uma análise das últimas quatro décadas, apesar dos défices de participação cívica que vão teimando e resistir. Em reação a um tempo de profundas mudanças, marcado pela emigração, pelo desemprego, por várias vicissitudes e dificuldades, que superaram as oportunidades que foram criadas, partir do período revolucionários. Uma geração com o futuro incerto, como um barco a navegar em águas agitadas, que agora quer protagonizar o rumo da história.
Os estudantes manifestaram o seu empenho na capacidade de colaboração, na afirmação do pensamento crítico, na criatividade e na capacidade de comunicação, em face do contexto da disrupção tecnológica e do limiar de novos modelos pedagógicos, com que está confrontado o ensino superior. Uma cumplicidade exigente, que deverá assentar numa proximidade mais efetiva das instituições de ensino, com as comunidades locais e com a sociedade nacional e internacional, que incide nas novas gerações, mas envolve de maneira crescente as gerações mais velhas, através do seu envolvimento em iniciativas de formação ao longo da vida.
O número de diplomados em cursos superiores cresceu exponencialmente, apesar da redução do tempo de duração das licenciaturas e do aumento dos estudantes, que frequentaram o mestrado em continuidade, obtendo dois graus de formação num processo que esteve longe de ser uniforme. Neste sentido, o processo de Bolonha introduziu alterações ao nível da estrutura pedagógica dos cursos, dos objetivos de aprendizagem, dos planos curriculares, das metodologias de ensino e da avaliação, focando no estudante todo o processo educativo.
Um novo contexto, onde a vocação continua a ser determinante, mas a empregabilidade dos diplomados no ensino superior não pode ser descurada, numa dinâmica educativa em que, cada área de formação, disponibiliza cursos que dão mais ou menos garantias de acesso ao mercado de trabalho. Dinâmica, em que o conhecimento passou a ser um fator de diferenciação e de mobilidade social, regista-se uma procura exponencial de qualificações alinhadas com as tendências da economia, pela implicação que as novas competências têm na sua integração plena na sociedade, pressupõem mudanças na universidade que temos hoje…

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