Correio do Minho

Braga, terça-feira

Que País é este?

O que nos distingue

Ideias Políticas

2012-05-15 às 06h00

Hugo Soares

Há dias, o Primeiro-Ministro, falando para uma sala cujo auditório era composto por empreendedores, disse que quando alguém se despede ou é despedido deve encarar a situação como uma oportunidade para mudar de vida. Caiu o Carmo e a Trindade. “Insensível”, “estou chocado” e “vergonhoso” foram alguns dos comentários que se ouviram. A polémica abriu telejornais e fez manchete nos jornais.

Pois bem, era mais sensato que Passos Coelho dissesse que os desempregados devem enfiar-se na cama e todos os dias amaldiçoarem a sua sorte? Portugal, e o nosso jornalismo, vivem de crises estéreis que raiam na espuma dos dias e que a oposição, aproveitando a oportunidade para marcarem golos na pró-pria baliza, não ensejam comentar.

Ora, os Portugueses - e os desempregados que vivem situações dramáticas - sabem que cabe ao Primeiro-Ministro dar esperança, apontar caminhos, mas sobretudo falar verdade. E Passos Coelho disse a verdade. Os desempregados, que são milhares e que estão em situação difícil, devem procurar encontrar outros caminhos, ser empreendedores e não deitar a “toalha ao chão”. Onde está a blasfémia nesta premissa? Ninguém disse que o desemprego era a melhor coisa do mundo. Ninguém disse que era uma situação agradável. Antes pro-curou-se dar ânimo e apontar caminhos. Em Portugal gosta-se do ridículo.

Aos Portugueses há uma questão que verdadeiramente importa: é o caminho da austeridade o melhor caminho para sair da crise? Será que os sacrifícios exigidos vão valer a pena? É esta a pergunta que queremos ver respondida.

Todos sabemos que a conjuntura europeia será determinante no nosso futuro colectivo. Saberá a Europa dar ao BCE o papel que tem de ter? A Espanha conseguirá evitar um pedido de resgate? E a cada vez mais próxima saída da Grécia da Zona Euro terá efeito dominó? Se a estas perguntas obtivermos a resposta que precisamos, então podemos estar certos que o Governo está no bom caminho. Até porque não há outro.

Durante os últimos anos acreditamos que as políticas de investimento público e a política do “estado-dependentes” eram suficientes para crescermos e desenvolvermos. Pura mentira. Esse foi o caminho que nos trouxe até aqui. Agora, é preciso corrigir para dar sustentabilidade. Alexandre Soares dos Santos, o tal que é o inimigo público número um da esquerda por estes dias (cometeu a heresia de fazer promoções de 50 %...) disse numa entrevista em Maio de 2011 a Fátima Campos Ferreira: a primeira prioridade “seria pôr as contas em ordem. Sem ter a casa em ordem não há hipótese de fazer o quer que seja. Precisamos de um programa bem feito, de preferência de três a cinco anos, para recuperar as finanças.”

Pois é. É que com o peso da dívida às costas ninguém consegue crescer. Mas ao mesmo tempo é preciso empreender uma agenda de reformas estruturais que a curto prazo coloquem Portugal a crescer e a criar emprego. E isso é o que o Governo está a fazer. Não se sabe? O Governo comunica mal? Talvez. Mas o tempo é de fazer e não de alardear. Veja-se: Reforma da lei do arrendamento. Lei da arbitragem voluntária e da concorrência que colocam Portugal capaz de captar investimento estrangeiro - porque são as empresas que criam emprego. Redução brutal do número de lugares dirigentes. Redução brutal dos institutos públicos.

Reforma do sector empresarial do Estado e do Poder Local. Extinção dos governos civis. A lei dos compromissos. A reforma da lei laboral com os parceiros sociais. A reprogramação do QREN. Um sistema da avaliação de professores que todos concordam ou já se esqueceram como era antes? Uma poupança brutal na política do medicamento onde nunca houve coragem para tal, reduzindo em 50% o preço dos genéricos. Tudo isto e o resto em dez meses.

Ora, todas estas reformas onde nos levam? Os piores cenários para este ano apontam uma recessão de 3,5 pontos percentuais do PIB. Para o ano as piores previsões apontam para o fim da recessão e as melhores para crescimento aproximado de 1%! Pela primeira vez desde 1943, prevê-se saldo positivo na balança externa. Mais: as previsões externas apontam para que Portugal cresça a partir de 2014 dois pontos percentuais durante quatro anos seguidos.
Que País é este? O da espuma dos dias ou o País que estamos a construir?

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