Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Que marca cultural para Braga?

Por mais cultura do treino e treino baseado na ciência

Ideias

2012-06-12 às 06h00

Jorge Cruz

A Braga Romana, recentemente realizada, e o Mimarte, que se iniciará no final do mês, são duas excelentes iniciativas culturais que o município promove anualmente com assinalável sucesso e que podem vir a constituir-se como marcas de referência para a comunicação externa da cidade.

Na realidade, o primeiro daqueles eventos tem um enorme potencial de afirmação no exterior se, conforme é expectável, enveredar pela intransigência quanto ao respeito pelas raízes, qualidade e apresentação dos participantes. Ou seja, não se pode construir uma marca com base em mentiras e/ou falsificações.

Por essa razão, uma feira romana, que até decorre numa cidade augusta, não pode estar franqueada a todo o tipo de feirantes, tem de ter cuidado com a verdade histórica porque só dessa forma ganha o respeito dos visitantes e o prestígio no exterior.
Claro que a Braga Romana também pode - e deve - ter preocupações pedagógicas no âmbito da divulgação histórica e, nessa perspectiva, para cumprir plenamente a sua função cultural, que também deve ter, carece de um programa complementar que contemple acções de divulgação, eventualmente em datas diferidas e não coincidentes com a feira.

Estes dois exemplos, apenas os mais próximos no plano temporal, servem para ilustrar parte da vivência cultural de uma urbe que tem no seu riquíssimo legado patrimonial e arqueológico a sua principal pedra angular.
Mas numa cidade prenhe de história como é a capital do Minho felizmente que não são apenas as instituições e organismos públicos a desenvolverem actividades, a promoverem eventos e iniciativas, enfim, a intervirem na vasta e por vezes complexa área cultural.

Também a título meramente exemplificativo, até porque os bons exemplos devem ser amplamente divulgados, julgo interessante enunciar aqui dois modelos de boas práticas na pro- moção, criação e difusão artística e cultural.
Refiro, em primeiro lugar, a Galeria Mário Sequeira, um apreciado espaço de arte criado há quase duas dezenas de anos, período durante o qual colocou Braga e a freguesia de Parada de Tibães no mapa dos grandes circuitos internacionais de arte contemporânea.

Com efeito, a ousada aposta do médico-amante de arte-galerista cedo obteve reconhecimento nacional e internacional, prémio mais que merecido dada a extraordinária qualidade das exposições que foi apresentando de artistas cimeiros. Mas Mário Sequeira foi ainda mais longe e, além de transformar as suas instalações num autêntico centro de arte contemporânea - para o que, aliás, chamou o igualmente reputado arquitecto bracarense Carvalho Araújo -, passou a focar-se também numa nova geração de artistas cujo trabalho já é internacionalmente reconhecido.

Infelizmente, ao reconhecimento nacional e internacional não tem correspondido idêntica identificação local. Aliás, arrisco dizer que uma esmagadora maioria de bracarenses desconhece a existência deste autêntico centro difusor de artes, ignorando portanto que apesar de privado tem entrada livre, e que muitos dos apreciadores nunca lá puseram os pés. No entanto, e não obstante a grande falta de reconhecimento local, a Galeria Mário Sequeira continua a percorrer o seu caminho, contribuindo para a divulgação das artes e da própria cidade onde está instalada.

Outro dos casos de sucesso que quero trazer aqui à colação é a Velha-a-Branca, uma cooperativa cultural criada há oito anos por um grupo de jovens e que é gerida diariamente por um conjunto de voluntários interessados e empenhados na criação e divulgação artística e cultural mas também em outras actividades de cidadania.

Com um enfoque das suas actividades no tecido jovem da cidade, a “Velha” tem promovido, frequentemente com enorme sucesso, actividades tão díspares como tertúlias, exposições, cursos sobre variados temas, concertos e sessões de poesia, entre outras. Esta cooperativa foi de certa forma pioneira no movimento que atraiu uma boa parte da juventude para as actividades culturais e de cidadania, contribuindo dessa forma para o desenvolvimento sócio-cultural de uma parte da população e, consequentemente, da própria cidade.

São exemplos como estes, a que felizmente se juntam muitos mais, que podem contribuir para criarmos uma imagem global da cidade que queremos. No caso hoje abordado, sob o ponto de vista cultural. Mas não nos podemos esquecer que tem que ser a cidade enquanto um todo que deve escolher a sua própria marca. E não menos importante, que as acções de comunicação externa que decorram do plano de marketing público que vier a ser traçado têm de corresponder à realidade local e não a uma qualquer imagem virtual que alguém pretenda “vender”.

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