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Que futuro?

Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário da ESMS

Que futuro?

Ideias

2020-09-25 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

AAssembleia da República está a debater o Plano de Recuperação e Resiliência. Há muito, muito dinheiro em cima da mesa, para um horizonte temporal que vai até 2030. A discussão enquadra, naturalmente, a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económico de Portugal 2020-2030, elaborada pelo Professor Costa e Silva . Este documento, divulgado e facilmente acessível na internet, assenta em 10 eixos estratégicos que envolvem a rede de infraestruturas, a qualificação das pessoas no quadro da transição digital, o papel do Estado Social, o setor da saúde, a reindustrialização e a reconversão industrial , a transição energética, a coesão do território , a agricultura e a floresta, um novo paradigma para as cidades e a mobilidade e finalmente a cultura, os serviços, o turismo e o comércio. Uma listagem exaustiva, que terá de ser capaz de definir corretamente prioridades, e mais importante ainda, de implementar as escolhas feitas, em tempo útil e com controlo, de forma eficiente e eficaz.
Os últimos anos têm vindo a traduzir grandes desafios, e o que se aproxima ainda reforça esta tendência de mudança. A profunda crise global de 2008, e o impacto da pandemia vão continuar a afetar o crescimento económico em termos mundiais. A evolução demográfica, com um acentuado envelhecimento populacional, vai ter uma repercussão negativa na força de trabalho, potencialmente na produtividade, e exigir uma redefinição do papel que se pretende para o Estado Social. O perfil do que se entende hoje pela classe média, em Portugal, em termos sociais e políticos, pode modificar-se. As ondas da robotização crescente, e de novas formas de trabalho, vão chegar, exigindo cada vez mais a presença de formação contínua ao longo de toda a vida, bem como de novos incentivos para trabalhadores mais vulneráveis; o alargamento das desigualdades é uma hipótese muito séria. O emprego industrial terá tendência para diminuir, e muitos setores económicos – todos aqueles que, de uma forma ou outra, exigem contacto pessoal - continuarão a sentir o impacto negativo da atual pandemia. Os serviços, contudo, terão tendência para aumentar, mesmo na indústria: atividades ligadas à gestão, à logística, à informática, ao marketing, às vendas on-line, ao controlo de gestão, ao desenvolvimento de novos produtos, enquadrados por cadeias de valor internacionais cada vez mais curtas, mais competitivas, mais dependentes da proximi- dade aos mercados finais. Em suma, de acréscimos de competitividade cada vez mais estreitamente relacionados com produtividade, e não com custos.
Portugal não tem uma história consistente de escolhas bem feitas e principalmente mantidas. Cada partido, mesmo até cada político que se sucede, quer mudar as coisas que se estavam a fazer. Porque sabe mais que todos os outros, porque é mais inteligente sempre que os demais. Depois da adesão à Comunidade Económica Europeia, com os primeiros fundos significativos que foram chegando, enquanto a Irlanda por exemplo invista fortemente na educação e em condições geradoras de mais produtividade, por cá investiu-se fortemente em infraestruturas rodoviárias e na satisfação de múltiplas pressões locais e regionais de forma não integrada. Nada de novo. No século XV, mítico da nossa cultura e do papel central que desempenhamos na história do mundo, Lisboa era um dos mais importantes centros de redistribuição das especiarias e outros produtos entre o Oriente e o Ocidente.
No entanto, de facto, o país não se tornou um pólo essencial do comércio internacional: porque não tinha uma via para os mercados do Norte da Europa e continuava a depender dos mercadores genoveses. Por 1492, Antuérpia tornava-se o porto mais importante do Atlântico, funcionando como centro de redistribuição do comércio colonial português. De acordo com diversos historiadores, uma menor inovação tecnológica na construção naval e menor capacidade para definir corretamente políticas de preços contribuíram também para a maior competitividade holandesa.
Nos últimos anos, de forma recorrente, tem-se discutido o investimento nas vias ferroviárias. Sem qualquer resultado. Portugal está num extremo da Europa; num contexto de encurtamento das cadeias de valor, será fundamental que os nossos produtos, e os inputs que precisamos, cheguem mais rapidamente. É absolutamente fundamental que existam transportes ferroviários rápidos que liguem os portos nacionais a Espanha, e por aí ao resto da Europa. É apenas um exemplo. Que haja discussão e transparência na tomada de decisão – mas que exista acordo e consenso, e capacidade efetiva de execução. Que o futuro é cada vez mais rápido e exigente. ?

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