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Ideias

2011-12-09 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Como se explica a continuação do apoio a este governo, manifestada nas sondagens, depois de tanta austeridade? A verdade é que o governo apresenta a sua política neoliberal e monetarista, como única capaz de salvar o país. Os portugueses estão aterrorizados e foram convencidos que são culpados do estado do país e que têm que redimir-se, empobrecendo. E também não se voltam para a oposição porque esta é sistematicamente apresentada como principal responsável da crise.

Como derrotar esta cultura de salvação nacional, sendo certo que a sociedade ainda não sentiu as consequências das políticas do governo?

Neste contexto, como deve reagir o Partido Socialista? Na minha opinião tem que abandonar o taticismo e construir uma agenda política própria, em alternativa ao monolitismo dos partidos do governo. Não é fácil para um partido que foi governo durante seis anos.

Todos os manuais de comunicação política insistem nesta dificuldade (ver Karen Sanders, Communicating Politics in the Twenty-First Century, 2009) , sublinhando que normalmente tendem a perder popularidade e que devem convencer o eleitorado que estão a mudar, tendo em conta as suas tradições. Por outras palavras, “they must have a coherent story to tell about themselves”.

Em termos políticos, o Partido Socialista deve voltar às bases, adaptando um marketing político de audição dos cidadãos, aterrorizados por estas políticas do governo. Isto consegue-se através de audição das pessoas, as quais devem ser convidadas a dizer o que pensam sobre o sistema político e as políticas públicas. Articuladas as aspirações dos cidadãos, importa convertê-las em propostas políticas, depois de passar selo crivo da filosofia política do partido socialista. Isto significa que os problemas deverão ser convertidos em alternativas de solução política. Só deste modo, é possível criar a agenda política.

O Partido Socialista tentou no passado através de Conferências Abertas (Novas Fronteiras) abrir a novos públicos; mas nem sempre este processo é bem visto pelos militantes que vêem nele uma entrada de “independentes”. De resto, estes só aparecem quando o poder está a mudar de mãos e quando cai o governo em que participaram desaparecem. Por outro lado, a presença em massa no Parlamento dos antigos governantes pode confundir os eleitores quanta à vontade de mudança e da refundação do partido.

Finalmente, o Partido Socialista não pode envergonhar-se da última passagem pelo governo, já que foi o único que procurou inverter o modelo de desenvolvimento iniciado por Cavaco Silva, insistindo na investigação, educação, novas tecnologias e energias renováveis. E tinha o défice controlado em 2007. Se não fosse a crise iniciada em 2008, a história seria outra.

Além disso, o governo anterior não pode ser acusado de ter tentado adiar o recurso à Troika e conversão do país num protetorado. Quem na verdade precipitou Portugal neste estado de empobrecimento foram os partidos do governo. Do mesmo modo, o governo Sócrates não pode ser acusado da crise na Grécia, Irlanda, Itália e Espanha, bem como do descontrolo da zona euro.

Os estatutos do Partido Socialista devem traduzir esta mudança no sentido da cidadania e da abertura à sociedade, sem, todavia perderem a sua matriz. Neste sentido, a flexibilidade constitui uma condição para recriar a capacidade de elaborar novas políticas, as quais entrem na agenda política.

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