Correio do Minho

Braga,

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Quanto sabemos sobre o solo?

A economia da longevidade e o paradoxo do empreendedorismo social

Quanto sabemos sobre o solo?

Ensino

2019-12-04 às 06h00

Susana Mendes Susana Mendes

O solo (do latim, solum, solo, chão, base) é um dos recursos mais importantes do nosso planeta e, certamente, um dos mais desconhecidos pela opinião pública. Sabia que numa colher de solo existem mais organismos vivos do que pessoas no planeta Terra? Ou que no solo vive um quarto de toda a biodiversidade do planeta? Ou que enquanto lê este texto se perde, por erosão, o equivalente a um campo de futebol de solo? Ou que 95% da nossa comida vem do solo? E assim poder-se-ia continuar com dados desconhecidos pela grande maioria.
Em 2013, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) aprovou, por unanimidade, a proposta da União Internacional de Ciência do Solo (IUSS) de estabelecer o 5 de dezembro de cada ano como Dia Mundial do Solo, a fim de divulgar a importância de manter a qualidade deste recurso para a segurança alimentar, para a saúde dos ecossistemas e o bem-estar da humanidade. Desde então, todos os anos, é comemorado o Dia Mundial do Solo, chamando a atenção para os problemas mais importantes que afetam os solos férteis, como a erosão, a perda de nutrientes, a perda de solo devido à expansão contínua das áreas urbanas e a exposição aos contaminantes como, por exemplo, os microplásticos.

A propósito dos contaminantes, um trabalho recente demonstrou que as minhocas mais comuns nos solos agrícolas, colocadas durante 30 dias num solo com microplásticos provenientes de sacos e de garrafas, perdiam cerca de 3% do seu peso corporal em comparação com uma amostra controlo (sem microplásticos), em que aumentaram 5% do peso corporal no mesmo período. Se a presença de microplásticos inibir o crescimento de minhocas em larga escala, isso pode ter implicações para a saúde dos solos, pois estes organismos são parte vital do ecossistema dos solos agrícolas.
Os alertas sobre a necessidade de protegermos os nossos solos sucedem-se. De acordo com a FAO, se continuarmos a degradar o solo à taxa atual, o mundo poderá ficar sem solo produtivo em cerca de 60 anos. A acrescentar aos fatores de degradação, o solo não é um recurso renovável, uma vez que são necessários mil anos para gerar apenas um centímetro de solo fértil e que, para cada 16 toneladas de solo fértil que perdemos, apenas se forma uma tonelada. A isto devemos acrescentar que, do ponto de vista das alterações climáticas, o solo é um dos maiores aliados para mitigar os seus efeitos, pois constitui o maior reservatório de carbono dos ecossistemas terrestres, através da matéria orgânica, com três vezes mais carbono que a atmosfera.

Este ano, o dia 5 de dezembro é dedicado à erosão, considerada a principal ameaça aos solos do mundo e aos serviços dos ecossistemas que eles fornecem. A erosão do solo provoca a perda das camadas superficiais que contêm reservas de nutrientes minerais e orgânicos, a perda parcial ou completa de horizontes do solo e a exposição do subsolo, que é limitante ao crescimento das plantas. As suas consequências não afetam apenas os solos, provocam também danos a infraestruturas, deterioração da qualidade da água e a acumulação de sedimentos. A redução da erosão é, de facto, prioritária tendo sido considerada a primeira das dez diretrizes estabelecidas pela FAO para a gestão sustentável dos solos. Estas diretrizes voluntárias fornecem recomendações técnicas e políticas sobre a forma como a gestão sustentada do solo pode ser alcançada. A bem-sucedida implementação destas diretrizes voluntárias deve servir como base para impulsionar a saúde do solo.
Pensemos agora em todas as coisas de que mais precisamos para a nossa vida diária: comida, roupas, casa, água. Cada uma delas, por sua vez, depende do solo, sem o qual não haveria vida. Pensemos nisto.

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