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Ideias Políticas

2013-05-21 às 06h00

Pedro Sousa

Na última semana, os portugueses ficaram a conhecer, de acordo com os dados do INE, que o país registou uma recessão homóloga de 3,9% no último trimestre, sendo o 9.º trimestre consecutivo em que se registam níveis economicamente recessivos em Portugal, confirmando-se, assim, a mais longa recessão da história moderna portuguesa.

Mas as más notícias não se ficam apenas pela recessão económica que o país tem vindo sucessivamente a registar. A meta de 5,5% de défice para este ano começa já a ser posta em causa, visto que o défice no primeiro trimestre deste ano triplicou em relação ao trimestre do ano transacto, e a recessão económica de 2,3% prevista pelo Governo pode vir a ser muito superior, que terá impacto directo na subida do desemprego, cujos alguns analistas falam já que pode atingir os 19% este ano, superiores aos 18,2% previstos pelo governo.

Contudo, penso que não é demais recordar que no memorando inicial negociado entre a Troika e os três maiores partidos se previa um défice de 3% e um crescimento económico de 1,2% para 2013. Isto é a prova cabal que a políticas seguidas por este governo, com o consentimento de uma Troika destrutiva e de um Presidente da República sem dignidade para o cargo que desempenha, estão erradas e em nada contribuem para a criação de um ambiente propício ao investimento, que se prevê que caia cerca de 7,6% este ano, quando no memorando inicial se previa um crescimento de 2,4% do investimento para 2013.

A juntar a todo este cenário negro, temos ainda previsão do peso da dívida no PIB , que está nos 122,4% para este ano, quando no memorando inicial se previa uma dívida de 115,3% para 2013. Contudo, e tendo em conta a recessão de 3,9% registada no último trimestre, que não é mais do que o sinal da destruição macabra que as medidas deste governo estão a provocar no tecido económico português, os 122,4% de dívida previstos para este ano podem bem vir a ser superiores.

Assim, face a todo este cenário, podemos concluir, com toda a certeza, que as medidas levadas a cabo por este governo irão conduzir-nos por um caminho cujo destino é o da pobreza extrema, da exclusão social e da desigualdade de oportunidades. Por outras palavras, a acção governativa de PSD e CDS poderá por fim à nossa democracia.

Mas, numa semana em que o país registou uma recessão de 3,9% e em que o cenário ficou ainda mais negro, o Governo, quando mais do que nunca deveria estar unido na elaboração de uma estratégia que empurre o país para a senda do crescimento económico, da criação de riqueza e de postos de trabalho, veio dar mostras da sua desagregação e provar, mais uma vez, que a única estratégia que tem é a da mais do que falida austeridade.

Quando o caminho deveria ser o do aumento do investimento, o Governo vem anunciar um corte de 10% nas pensões do Estado e mais um corte de 4% nos salários dos funcionários públicos. Para além disso, o corte na despesa que o Governo pretende levar a cabo nas funções sociais do Estado poderão ter efeitos ainda mais recessivos do que um aumento de impostos, pois tudo isto significa menos dinheiro disponível nos bolsos dos portugueses, ou, por outras palavras, menos riqueza económica.

Mas não é só em Portugal que na última semana verificamos um desnorte político. Também esse desnorte se fez sentir à escala europeia, onde se assistiu a um passa-culpas entre Durão Barroso e Angela Merkel no que diz respeito à implementação da austeridade e ao efeito recessivo provocado pela última. Isto não é mais do que a prova da decadência que reina neste momento nas instituições europeias.

É, portanto, necessária mais do que nunca uma mudança, tanto em Portugal como na Europa. Uma mudança preconizada por líderes fortes, imbuídos numa estratégia em que os pilares principais sejam o crescimento económico, a criação de emprego e a igualdade de oportunidades.

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