Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Quando tudo e nada acontece

Um ciclo que se abre

Escreve quem sabe

2018-09-09 às 06h00

Joana Silva

A expressão “Para quê que eu saí hoje de casa!” sai em tom de desabafo perante um dia difícil, que não corre como o esperado. É basicamente ter um dia mau ou chato e stressado. Talvez seja a razão que tantas vezes escutámos expressões: “ Ai que nervos.”; “Saturado/a desta vida”; “Tinha de ser comigo. Tudo me acontece” a caminho de casa, do trabalho ou de outro lugar. Cedemos a pensamentos negativos. A culpa é do valor que lhe dá- mos. Imprevistos inesperados acontecem a todos mas na maior parte das vezes aborrecemo-nos por detalhes. Certamente que ao deslocar-se para o trabalho já se deparou com obras na rua ou uma fila enorme de carros mal estacionados que impede a circulação de ambos os lados; uma nodoa de um molho que lhe caiu na camisola e que com o detergente teima em não sair ou encontrar na rua alguém com quem não se empatiza. Situações normais que podem mas das quais fazemos um drama. Ficar gravemente doente, perder o emprego ou alguém querido, isso sim, são situações que são “ protagonistas” de um verdadeiro dia de terror.

Auto punimo-nos:“Já sabias que ia correr mal”, “Sempre a mesma coisa”; “Aguenta com as consequências”, “Ninguém te mandou”). Aqui o nervosismo toma uma escalada galopante. Sobretudo se também externamente pessoas corroboram o mesmo que a voz interior diz. Aí é a verdadeira “sentença”. Como devemos agir perante um dia mau?
Em primeiro lugar, imprevistos menos bons acontecem a todos. O destino não conspira a favor só de alguns. É para todos, com momentos bons e maus. Por sua vez quando pensar que “tudo de acontece” é mentira.
O ponto número dois é perceber se o desgaste emocional que está a ter por causa da situação infeliz que teve se tem razão de ser. A título de exemplo, quantas vezes nos dizem algo que não se gosta e fica-se um dia inteiro a pensar no mesmo assunto ao ponto de até fazer surgir uma dor de cabeça?! Importa perceber se o comentário que esse alguém fez se tem validade, isto é, se corresponde à verdade. Se sim, tire uma lição positiva, de estar mais atento. Na maior parte das vezes, é mentira, há pessoas que tem prazer em estragar o dia dos outros por isso não lhe dê “o docinho”.
Ponto número três, por vezes o incidente começa logo ao início do dia e prevemos e antevemos logo de imediato que o dia vai correr mal. Certamente que não tem nenhum poder adivinhatório, então o porquê sofrer por antecipação? Ninguém gosta. Ninguém quer. Mas por outro lado, compreende-se que não se consegue controlar os pensamentos.
Ponto número quatro, quantas vezes em cinco situações, quatro correm bem e uma mal , focamo-nos imediatamente na má e esquecemos as tantas outras boas. Talvez porque hoje vivemos numa sociedade que não nos permite falhar. Mas é no ato de falhar que eestá muitas vezes a chave do sucesso ou que se faz a maior das descobertas. Relativizar é o segredo. Quando algo não está a correr como esperado em vez de ficar a pensar sobre o assunto porque lhe vai causar mais nervosismo deve parar e fazer uma coisa que gosta. Aliás todos os dias deveríamos dedicar 10 minutos a fazer algo de que gostamos muito. Porque liberta toda a carga de energia negativa de um dia de trabalho num momento de prazer para o próprio numa atividade que realmente o faz feliz e ao mesmo tempo relaxante.

Experimente que vale a pena. Voltando à anterior questão, é claro que se está a ter um dia mau no trabalho e se tem por atividade prazerosa fazer exercício, não vai parar e sair a correr para o fazer. O exercício pode faze-lo após o término do trabalho mas também é importante fazer uma pausa naquele momento que o está a incomodar. Assim sendo em vez de estar a pensar de “trás para a frente e de frente para trás” no sucedido levante-se e comece a falar com um colega de algo relacionado com o humor ou veja algo relacionado com isso. O seu cérebro vai ficar confuso e baixar os níveis de ansiedade. É como se o seu cérebro fosse uma televisão e muda de canal. Ou ouça a sua música preferida. Quando se está triste a tendência é para ouvir músicas tristes, mas deve fazer exatamente o contrário. Também pode sair, assim que tiver oportunidade para observar o pôr- do sol ou o mar, pois a essência de ambos é automaticamente relaxante. Você pode mudar o que está a sentir mas nunca os outros. Você tem o poder de transformar um dia mau num dia bom sempre que quiser.

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