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Quando acabará a pandemia?

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Quando acabará a pandemia?

Escreve quem sabe

2021-02-20 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Um ano, ou perto, depois de ter começado a atual pandemia, uma das interrogações que milhões e milhões de pessoas em todo o mundo partilham nas suas mentes é a que se prende com o seu fim. E com efeito, quando e como saberemos que a pandemia da COVID-19 terminou? Existe algum critério ou critérios para determiná-lo?

A Organização Mundial de Saúde descreveu em 1999 (e reviu em 2005) o padrão de sucessão de fases numa pandemia. No princípio temos vírus a circular na natureza entre espécies não humanas que não causam infeções à nossa espécie (fase 1). Quando um desses vírus provoca infeções em humanos torna-se uma potencial ameaça pandémica (fase 2). Ele poderá originar casos esporádicos ou afetar pequenos grupos de pessoas, sem, ainda assim, a sua transmissibilidade de pessoa para pessoa ser suficiente para haver surtos a nível de comunidades (fase 3). Quando estes últimos se dão, o risco de uma pandemia aumenta significativamente (fase 4). Encontrando-se o vírus disseminado entre humanos em pelo menos dois países de uma região da OMS – África, Américas, Ásia do Sudeste, Europa, Mediterrâneo Oriental, Pacífico Ocidental –, pode falar-se de uma pandemia iminente (fase 5). Atingindo esses surtos comunidades de pelo menos outro país de uma diferente região da OMS é decretada uma pandemia (fase 6). Esta última fase caracteriza-se, como infelizmente bem sabemos, por ondas, com períodos em que se dá o maior número de casos de infeção, chamados “picos”, que só se conhecem depois de terem passado, a que se sucedem períodos pós-pico de diminuição desse número, ambos se prolongando por meses. Esperadamente, nalgum momento entraremos num tempo pós-pandé- mico em que a atividade do vírus decairá fortemente.

Considerando esta descrição da OMS, não se afigura claro quando é que se saberá que a pandemia do Sars-CoV-2 terminará. Isso acontece, em parte, porque não sabemos como é que esse vírus se continuará a comportar. Embora pouco crível, não se pode excluir que desapareça de modo súbito e enigmático como o Sars-CoV-1 – surgido a 16/11/2002 em Foshan, China e declarado inativo a 5/7/2003 pela OMS. Poderá também dar-se o caso, igualmente pouco crível, de gerar uma longa série de novas estirpes, algumas resilientes às vacinas disponíveis, impondo a sua presença por anos ou décadas. O mais plausível será talvez que se torne num vírus a que nos adaptaremos – por imunidade adquirida naturalmente ou/e com o auxílio de tecnologia médica: vacinas e antivirais –, mas que sazonalmente, à semelhança do Influenza que provoca a gripe comum, virá reclamar alguns mortos.
Se o esquema multifásico da OMS for interpretado num sentido mais normativo, então a pandemia em curso terá terminado quando, pelo menos, retrocedermos à fase 5, ou seja, quando o vírus já só circular em países de uma única região das seis regiões da OMS. Todavia, da mesma maneira que a OMS só reconheceu a existência de uma pandemia no momento em que o Sars-CoV-2 se encontrava ativo em 155 (dos 194) países seus membros, é de esperar que só quando se chegar a uma situação característica da fase 3 é que ela decretará o seu fim.

No entanto, como os historiadores de anteriores pandemias constataram, o critério médico de esvaecimento da incidência do vírus e decaimento das taxas da mortalidade por ele provocada pode não ser inteiramente determinante no estabelecimento do fim desta pandemia. Segundo eles, um outro critério, social, será, porventura ainda mais decisivo: o do desaparecimento da coronafobia, da ansiedade e do medo de contrair a doença que instila e morrer.

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