Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +

Quando a ansiedade se torna nociva

Geraldo Henriques

Quando a ansiedade se torna nociva

Voz à Saúde

2019-12-24 às 06h00

Ricardo Pinto Ricardo Pinto

As doenças do foro da ansiedade afetam cerca de 16,5% dos portugueses, segundo a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental e, Portugal constitui um dos países da Europa no topo da lista de incidência.
A ansiedade é uma reação natural do nosso corpo ao stress, sendo no seu estado normal um sentimento saudável. Tal como a dor surge com intuito de alertar para a defesa, a ansiedade é um sinal que emerge para darmos atenção a algo ou impulsionar a pessoa a atingir objetivos, desejos, sonhos e projetos. Mas, quando em excesso, este estado emocional torna-se nocivo, estando a gravidade do mesmo dependente da frequência e intensidade dos sintomas, podendo tornar-se patológico, sob a forma de perturbações alimentares, perturbação de pânico, perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação de ansiedade generalizada, depressão, entre outros.

A perturbação de ansiedade é uma doença que submerge o indivíduo em receios, pensamentos negativos e ansiedade em excesso, desencadeando sintomas físicos e emocionais que interferem e prejudicam a vida. Geralmente, são os sintomas físicos que despertam a atenção e catalisam a procura de ajuda, mas esta perturbação atinge a mente da mesma forma que o corpo, sob a forma de sintomas emocionais (como a irritabilidade, nervosismo e medo), sintomas fisioló- gicos (taquicardia, tonturas, hiperventilação, dores musculares e insónias), sintomas comportamentais (inquietude, agressividade e impulsividade) e sintomas cognitivos (dificuldade na tomada de decisão, falta de concentração e preocupação). Com o aumento dos sintomas, a mente entra em estado de alerta e tensão, levando a um fluxo de pensamentos superior, notoriamente do foro negativo.

O tratamento desta perturbação comporta distintas atuações, sendo as mais relevantes o acompanhamento psicológico, onde são utilizadas terapias como a Cognitivo-Comportamental, Hipnose Clínica ou Terapia de Exposição Prolongada, ou a farmacológica, pelo uso de ansiolíticos (curto-prazo) e antidepressivos (longo-prazo), que aliviam a sintomatologia. Quando a ansiedade é considerada severa, o uso medicamentoso é aconselhável, mas sempre aliado à psicoterapia, de modo a que a droga prescrita seja administrada temporaria- mente, até que o indivíduo esteja em remissão dos sintomas e, acima de tudo, em controlo.
No quotidiano atual, devemos ter em atenção esta epidemia com incidência cada vez mais superior e, deste modo, adotar estratégias preventivas para que a ansiedade não atinja níveis prejudiciais:
Exercício, dieta saudável e descanso: Alguns alimentos que são particularmente úteis para reduzir a ansiedade incluem alimentos com ômega 3 (salmão, nozes e linhaça) e probióticos. Alimentos oleosos, açucarados, com alto teor de gordura, processados, cafeína e álcool são de evitar.

O descanso constitui também uma peça fundamental e se a ansiedade já interfere no ciclo do sono, a utilização de estratégias de relaxamento antes de dormir auxilia na regularização;
Mindfulness: através da prática de Mindfulness, é adquirida uma maior mestria na regulação de emoções, pensamentos e sensações à medida que estas emergem no fluir das nossas vidas e traz a possibilidade de modificar as reações automáticas e por vezes ineficazes que temos face às dificuldades do dia-a-dia, aprendendo-se a responder aos desafios inerentes à vida de forma mais adaptativa e equilibrada; Consciencialização e identificação de gatilhos: aprender a reconhecer os padrões de pensamento ansiosos quando estes surgem, ajuda na gestão e redução dos mesmos. Ter consciência da ansiedade começa com a tentativa de identificar a causa e/ou gatilhos e ganhar uma compreensão de como isso afeta o humor e comportamento.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho