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Qualidade da gestão e produtividade

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Qualidade da gestão e produtividade

Ideias

2020-01-10 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Num dos últimos dias do ano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou que um dos problemas da economia portuguesa é “a fraquíssima qualidade da gestão das empresas”. Esta afirmação mereceu uma resposta imediata dos empresários, encabeçados por António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP).
O ministro encolheu-se e retratou-se, dizendo que não queria dizer o que disse. E, todavia, disse uma verdade de La Palisse, mas deveria saber que existe a ilusão ( Lance Bennet, 1988, The Politics of Illusion) que os empresários são “vacas sagradas”, os novos navegadores, que com o seu esforço, tiraram o país da bancarrota e deram novo horizontes à pátria.
Toda a gente sabe que a baixa produtividade se deve aos gestores e não aos trabalhadores, os quais enquadrados em outras estruturas e em outros modelos de gestão são tão produtivos como os melhores. Basta ver os emigrantes portugueses.
Mas vamos aos especialistas. O World Management Survey mediu em 2017 as práticas de gestão, usando indicadores como o estabelecimento de objetivos, a avaliação desempenho, o estabelecimento de prémios e castigos em função do rendimento. E, fê-lo para uma série de países, incluindo Portugal, concluindo que a gestão, em média, em Portugal, tem nível muito baixo e que o problema está fundamentalmente a nível dos recursos humanos.
Em estudo recente do ISCTE verificou-se que, em média, os empresários portugueses têm menos qualificações que os seus trabalhadores. Em 2017, 56% dos empresários não tinham formação além do ensino básico (9º ano), em quanto nos trabalhadores essa percentagem era inferior a 44%. E conclui este estudo, ora citado, que se tornava urgente um programa de gestão, especialmente dirigido aos gestores. Mas o problema não está apenas na falta de qualificações gerais. O ensino da Gestão é deficiente em Portugal. Dei aulas dezenas de anos em uma Escola de Economia e Gestão e dei-me conta que os docentes de gestão se agrupam em áreas especializadas (contabilidade, finanças, marketing, recursos humanos) e se guerreiam entre si, perdendo o objetivo do seu estudo que deveria ser a empresa.
Mas, se a regra das empresas portuguesas é a sua má gestão e os salários são tão baixos, porque não desaparecem e não vão à falência? Dizem alguns economistas que a razão está na falta de concorrência e no fato de os empresários não correrem grandes riscos, pois são “capitalistas sem capital”.
Há, porém outros fatores que explicam também a baixa produtividade do tecido empresarial. Em artigo do Conselho das Finanças Públicas de 2017 apontam-se outros fatores como a baixa dimensão das empresas portuguesas. Por outro lado, o sistema judicial representa riscos adicionais para a atividade empresarial, pois não só afasta potenciais investidores, como arrasta indefinidamente a resolução de conflitos contratuais, gerando a incerteza.
É verdade, Santos Silva, embora tenha razão, meteu-se numa alhada numa altura de negociação do orçamento. Seria melhor que no seio do governo contribui-se para a definição de políticas a melhorar a qualidade da gestão e a aumentar a produtividade. E esta é uma matéria que está estudada e o seu diagnóstico é consensual.

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