Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Qual o rumo da nossa juventude?

Escrever e falar bem Português

Ideias

2012-09-05 às 06h00

Pedro Machado

Quero realçar nesta crónica, depois destes meses de interregno, uma situação que presenciei e que me fez questionar qual o rumo da nossa sociedade.
Numa tarde de sábado, desloquei-me com a minha família, esposa e os meus três filhos, ao espaço comercial Bragaparque, com o objectivo de adquirir um presente para a filha de uns amigos.

Quando já estávamos de regresso ao parque de estacionamento, presenciei uma cena lamentável: um casal encontrava-se debruçado sobre um ponto electrão, roubando todo o material depositado no seu interior. Note-se que este contentor, destinado à recolha de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos fora de uso, se encontra no parque de estacionamento subterrâneo e, portanto, um local vigiado.

O casal ia retirando teclados, toners, rádios e para dentro de sacos do Pingo Doce. Enquanto isso, uma criança com os seus 10 anos, ao que tudo indica filha do tal casal, observava atenta e vigiava a chegada do segurança. Porém, não se importando com as outras pessoas que por ali passavam.

Fiquei perplexo e angustiado com a educação que estas futuras gerações estão a receber dos próprios pais. O que interessa é ser “fino”, mesmo que se estejam a criar futuros bandidos ou delinquentes.
Quando chegou o segurança, rapidamente fugiram numa carrinha de caixa aberta. Fiz questão de segui-los, tendo-se dirigido para o Bairro das Enguardas.

Os meus filhos, que assistiram a toda a cena, ficaram muito admirados e confusos. Expliquei-lhes que aquilo não se fazia, que era errado. Aquelas pessoas poderiam estar a roubar porque precisavam de dinheiro mas, ainda assim, não se podia fazer aquilo.
Aproveito, mais uma vez, para alertar e apelar aos cidadãos que presenciem cenas como esta que as denunciem, que não fechem os olhos porque senão estamos a pactuar com situações ilegais, com situações de crime.

Quando no mesmo dia assistia ao noticiário, ouvia o líder de uma juventude partidária, a propósito do caso de uma licenciatura obtida de forma duvidosa, como outras aliás, dizer que se tratava de um processo pleno de legitimidade, questionei-me, mais uma vez, acerca da juventude que estamos a criar, dos maus exemplos que se estão a dar aos jovens. Estamos a caminhar para um rumo ainda pior!

Costumo dizer que Portugal dispõe de escolas e professores magníficos, mas ainda carece de muita sensibilização e educação, principalmente em termos de cidadania e civismo. Aqui, apesar das escolas e professores terem um papel importantíssimo, o exemplo tem de partir dos pais.
Cada vez mais os pais depositam na escola toda a educação dos filhos, desculpando-lhes os maus comportamentos pois não estão para se chatear no pouco tempo que passam com eles.

Poderemos correr o risco de estar a criar pessoas que pensam que podem fazer tudo sem qualquer consequência. É um rumo perigoso, que se deve contrariar o quanto antes. Para isso convêm não esquecer que a escola ensina mas quem educa é a família!

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