Correio do Minho

Braga, quinta-feira

PSV

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Ideias

2018-05-27 às 06h00

José Manuel Cruz

Desengane-se o leitor, eu não mudei de afiliação clubística, embora me sinta improvável na condição de português genuíno, entalado entre os 6M de benfiquistas e os 4M de sportinguistas. É que não sobra ninguém para puxar pelo Braga ou Aves, pelo Porto, carago. Com tão rigorosa partilha, é como se só pudéssemos bater a bota de coração partido ou cancro insidioso, não ficando portuguesito que se veja para empaviar de acidente de viação ou malfadado braseiro florestal.

Não puxo nesta crónica, por conseguinte, para o bom clube de Eindhoven. É mesmo o Pedro Siza Vieira que trago a palco. Vejamos, chama o António Costa um amigo, para desfazer um quid pro quo ministerial, e não é que o dignificado com a escolha vai de véspera, às pressas, abrir uma firma barata de gestão de condomínios! Oh que confianças tem o PSV no Governo da Nação! Eu, assim por alto, acho que o Costa tem geringonça para umas cinco legislaturas, tal é a propensão sociológica do povo português para a esquerda, posto que é pobre a dois quintos, remediado em igual fracção, e para tudo acena o D. Sebastião socialista com miríficas soluções.

E o dianho do Costa é bom do melhor, como se vê , tão bom, mas mesmo tão bom, que vira a cabeça a um advogado de negócios dos mais prendados, useiro e vezeiro, por si e em esplêndidas companhias, por tudo quanto de arranjo extraordinário se tem feito no rectângulo nacional. Conta, o Costa, cheiinho de entusiasmos, que o amigo PSV venha para o Governo, para dar o mote a grandiosas iniciativas de Estado, e não é que o visado começa logo, de verde, a tratar do day after! Eu, no lugar do Costa, teria embeiçado, e teria posto o cavalheiro a milhas, sem sequer esperar pelo uníssono indignado das oposições.

Gostei da treta do lapso, da contrição de confessionário que não teria havido dolo, que o protagonista nada tinha auferido, nem feito, na realidade. Aliás, a sociedade imobiliário-matrimonial será mesmo da ordem do espectral, o que adensa o mistério sobre a sua natureza e alcance do biscate. Que um homem não inche com o estar ministro, pois isso é coisa que eu compreendo. Ministeriar é um sacrifício, é um sacerdócio pejado de renúncias. Não faria, o PSV, grande mesada com a missão patriótica, mas lembrá-lo-íamos para todo o sempre, amparando-lhe filhos e netos até à quinta geração. Não recolheria dividendos de emblemática sociedade de advocacia, mas seria recebido de braços abertos, assim concluísse a comissão de serviço, encetada a bem do interesse público. Mas eis que o homem desconfia do retorno, tanto como da boa empreitada, enquanto secundante do Costa, e das duas muito mais do que do galopante sucesso do imobiliário no turisgal.

Talvez com o facto quisesse realçar a sua previdência e a superior aptidão para abraçar a causa pública. Assim, eu, entendo. Sublinho, até, que é de gente deste calibre que carecemos. Eu, para que conste, bato três vezes no peito, e reconheço-me uma nulidade retinta, abaixo mesmo de português, segundo a vulgata de Dijssembloem, visto que naufrago em matérias de tasca e de alcova. Mas isso é problema meu.
Concluo, desejando os maiores sucessos ministeriais e imobiliários ao Senhor PSV, e, sobrando-lhe um T0 modesto de mansarda, ao Alto do Pina, ou ao Beato, eu muito lhe agradeceria a gentileza. Quiçá ficássemos amigos, e eu, aproveitando, seria menino para dar uma mãozinha ao Inácio ou ao Fernando Correia, gente da maior seriedade, de grandessíssimo espírito de abnegação, de sportinguismo a toda a prova. Cheira-me, porém, que a prática magenta não se ocupará com saldos e bagatelas, e que a clientela virá do chamado estrangeiro, pessoas que com o Senhor Ministro troquem palavras entusiasmadas a propósito do nosso caloroso Portugal. Ah! Já agora, deixo-lhe o meu cartão, dirá o Senhor Ministro Real Estate.

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