Correio do Minho

Braga, terça-feira

Prática do Desporto na Natureza no Inverno

A interdisciplinaridade e o trabalho colaborativo unindo a escola e a vida – Obrigada João

Ensino

2018-04-11 às 06h00

António Brandão

Quando falamos de desporto na natureza no inverno pensamos logo em ski, snowboard, passeios com raquetes de neve, montanhismo, ou seja, atividades que em grande parte de Portugal não são possíveis de realizar. Mas será que quando chegamos ao inverno nada podemos praticar na natureza? Constatamos que a afluência aos meios naturais no inverno decresce no nosso país, pois os motivos pelos quais nos movemos para estes meios alteram-se, principalmente os fatores ambientais, mais concretamente a meteorologia.
Este fator ambiental é provocado pela natureza, sem atuação do Homem, podendo-se alterar durante uma atividade desportiva na natureza, o que influencia negativamente a prática, sendo esta influência mais representativa no inverno.
Como formadores e praticantes de atividades desportivas de natureza, devemos avaliar e analisar a informação que temos disponível através dos conhecimentos e experiências adquiridos, podendo desta forma evitar problemas maiores.

É um facto que as condições atmosféricas podem implicar a exposição a inúmeros riscos causados pelas baixas e altas temperaturas, vento, trovoada, nevoeiro, humidade, precipitação e radiações solares, mas devemos com isto deixar de vivenciar o desporto na natureza?
No mundo da alta competição é evidente que não, pois um atleta de alta competição de canoagem, trail ou surf, não vai parar de treinar no inverno porque está frio, ou porque está a chover. Pode sim adaptar, ajustar, condicionar e preparar-se para as circunstâncias do dia, mas não vai deixar de treinar. Lance Amstrong tem uma história interessante para ser contada, num dos seus inúmeros treinos em altitude, no inverno dos Alpes, nevando e com bastante vento, ele pega na sua bicicleta e prepara-se para treinar. O seu treinador pergunta-lhe o que ele vai fazer, ao qual ele responde: vou treinar, pois hoje sei que mais ninguém o vai fazer, logo fico com mais um dia de treino. Realmente é uma atitude e uma mentalidade de um atleta de alta competição, mas e para outros praticantes de desportos de natureza? Com esta questão quero realçar o projeto Centro de Mar, que foi criado e está a ser implementado em Viana do Castelo.

A Câmara Municipal desta cidade aproveitou o que a natureza lhes deu, o rio e o mar, apoiando clubes ligados aos desportos náuticas, como o surf, remo, canoagem e vela, e, juntamente com os diretores das escolas do concelho e professores de educação física, desenvolveram um projeto de educação, com um impacto notável nos desportos náuticos. Neste momento têm mais de 1700 alunos das escolas do município a frequentar este projeto e o que ainda é mais interessante é que o projeto não pára no inverno, ou seja, mesmo não sendo atletas de alta competição, podemos proporcionar atividades na natureza durante todo o ano, incentivando, adaptando e criando condições para que a prática destas modalidades seja uma realidade.

E no que se refere à componente turística, será que enquanto empresas de animação turística devemos diminuir a oferta e a aposta no turismo de desporto na natureza no inverno? Depende realmente de algumas variáveis. Temos condições? Temos meios? Temos vontade? Há realmente quem tenha vontade de aplicar e desenvolver projetos no inverno, e continuando em atividades aquáticas, temos o exemplo das empresas que desenvolvem as suas atividades de animação turísticas no rio Paiva, que só podem proporcionar experiências de rafting aos seus clientes quando o rio está com água suficiente, algo que no verão não acontece, ou seja, o inverno é a altura do ano em que a prática desportiva de rafting é realizada e potenciada neste local de prática época alta.

Com isto queremos dizer que podemos e devemos potenciar o desporto de natureza no inverno, tornando o nosso país cada vez mais um destino turístico de aventura, para o qual temos de apresentar condições de excelência para os turistas, amantes, profissionais do desporto na natureza. O conhecimento, as aprendizagens, as competências, e sobretudo, o grau de experiência, nesta área é uma realidade a ter em conta, e no inverno ainda mais. Quanto maior e? o conhecimento, a competência técnica e a experiência, maior e? a perceção do risco. Falar da prática desportiva em meio natural no inverno é realmente diferente de falar da prática desportiva na natureza na verão, mas como acabamos de testemunhar, é possível conciliar a aventura, o bem-estar e o meio natural no inverno.

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