Correio do Minho

Braga, sábado

Prostituição na adolescência

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2012-04-22 às 06h00

Joana Silva

Vive-se tempos difíceis! Grande parte dos portugueses sente este mal maior de que é “ter de apertar o cinto”. Empresas a fechar, despedimentos em série, a lei a favor da entidade patronal que cada vez mais parece ter a “a faca e o queijo na mão”. Funcionários que trabalham um grande número de horas por um magro salário, e caso haja alguém que porventura não esteja satisfeito com as condições, é -lhe mostrada a “porta como serventia da casa”. Questiono, se voltaremos aos tempos de antigamente em que uma sardinha tinha de alimentar quatro ou mais pessoas do agregado familiar. Há fartura de bens alimentares mas não há dinheiro para os adquirir, despoletando crises familiares porque se vem limitados perante os problemas. Procuram por vezes a solução ou o esquecimento das dificuldades com outros “ problemas” tais como, alcoolismo, droga e até a prostituição. A prostituição é um flagelo social que parece ter tendência a aumentar. Desengane-se quem pense que a prostituição pertence ao mundo dos adultos, não só, mas também cada vez mais na adolescência. São muitos os factores que contribuem para a prostituição de jovens. Há quem pense que a prostituição dos jovens incide especificamente nos meios mais carenciados. É verdade, que há uma forte incidência nos meios desfavorecidos essencialmente em famílias onde não existe grande suporte familiar e em que o jovem fica, por vezes, sujeito e “entregue à sua sorte”. Em ambientes familiares tão débeis, por norma escasseiam o afecto e o carinho, desencadeando no jovem uma baixa autoestima e falta de autoconfiança. Mediante as circunstancias alguns jovens vem como melhor solução sair de casa enveredando pelo mundo da prostituição sem o conhecimento dos pais. Em outros casos a prostituição é do conhecimento de familiares, no entanto por condições como o receio, poder, dependência financeira, forma-se um “acordo de silêncio” entre todos mas com elevadas consequências negativas desde psicológicas e sociais. Mas a prostituição em famílias consideradas de classe média está a aumentar. Vivemos numa sociedade cada vez mais consumista em que se parece querer “aquilo que o outro tem”, as roupas de marcas, acessórios etc. que para a compra dos mesmos muitas vezes não há dinheiro. Não é à toa que a adolescência é vista também como a fase da rebeldia do “eu sei o que faço, e sei tomar conta de mim”, e por mais que os pais expliquem que tem como prioridade o pagamento de contas, a alimentação e depois por último os gastos supérfluos (pelo menos considerado assim por alguns) como o vestuário, os adolescentes nem sempre compreendem. Muitos pais desconhecem que os filhos se prostituem para adquirir roupa de marca, por exemplo, e quando confrontados com questões da aquisição da mesma, alguns jovens justificam que são trocas ou empréstimo de roupas com outros amigos. Não devemos julgar mas sim ajudar. Os modelos parentais são fulcrais no desenvolvimento de uma identidade sadia no adolescente, bem como, uma sexualidade informada. Um adolescente informado reflecte melhor nas suas escolhas, não se deixando “levar pelos maus caminhos”.

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