Correio do Minho

Braga, terça-feira

Prioridade 2: Iniciativa Europeia para a Computação em Nuvem

Confiança? Tínhamos razão.

Ideias

2016-04-21 às 06h00

Alzira Costa

AComissão Europeia (doravante Comissão) apresentou, esta semana, o seu projeto para disponibilizar serviços baseados na computação em nuvem e infraestruturas de dados de craveira mundial que permitam à comunidade científica, empresas e administrações públicas, beneficiarem das vantagens oferecidas pela revolução dos «big data» (grandes volumes de dados).
Esta decisão surge no âmbito da prossecução das 10 prioridades políticas da Comissão, enquadrando-se na prioridade 2: um Mercado Único Digital Conectado.
A Europa é o maior produtor mundial de dados científicos, mas a insuficiência e a fragmentação da infraestrutura não permitem explorar plenamente o potencial deste «grande volume de dados». Graças ao reforço e interligação das infraestruturas de investigação existentes, a Comissão pretende criar uma nova nuvem europeia para a ciência aberta. Esta nuvem oferecerá a 1,7 milhões de investigadores e a 70 milhões de profissionais dos setores da ciência e da tecnologia na Europa, um ambiente virtual para armazenar, partilhar e reutilizar os dados a nível interdisciplinar e transfronteiras.
Esta iniciativa assentará numa infraestrutura de dados europeia, que utilizará as redes de banda larga, as estruturas de armazenamento em larga escala e a capacidade dos supercomputadores, necessárias para aceder facilmente aos grandes volumes de dados armazenados em nuvem e processá-los. Esta infraestrutura de craveira mundial permitirá à Europa competir a nível mundial no domínio da computação de alto desempenho, em consonância com o seu potencial económico e de conhecimentos.
A base de utilizadores, centrada inicialmente na comunidade científica (europeia e dos seus parceiros internacionais), será alargada, ao longo do tempo, ao setor público e à indústria. Esta iniciativa faz parte de um conjunto de medidas destinadas a reforçar a posição da Europa no domínio da inovação baseada em dados, a melhorar a competitividade e a coesão e a contribuir para a criação de um mercado único digital na Europa.
A iniciativa europeia para a nuvem facilitará o acesso e a reutilização de dados pelos investigadores e inovadores e, reduzirá o custo do armazenamento de dados e das análises de elevado desempenho. O livre acesso aos dados da investigação pode contribuir para estimular a competitividade da Europa, beneficiando as empresas em fase de arranque, as PME e a inovação baseada nos dados, nomeadamente no campo da medicina e da saúde pública. Pode ainda incentivar o aparecimento de novas indústrias, como demonstrado pelo projeto do genoma humano.
A iniciativa europeia para a nuvem será implementada progressivamente através de uma série de medidas. Neste sentido, a partir de 2016, com criação de uma nuvem europeia para a ciência aberta permitirá a integração e consolidação das plataformas de infraestruturas eletrónicas, da agregação das atuais nuvens científicas e infraestruturas de investigação, assim como o apoio ao desenvolvimento de serviços baseados na computação em nuvem. Em 2017 serão abertos, por princípio, todos os dados científicos produzidos por futuros projetos, no âmbito do Programa-Quadro de Investigação e Inovação Horizonte 2020 (dotado de 77 000 milhões de euros), de forma a garantir que a comunidade científica possa reutilizar o enorme volume de dados gerados. 2018 marcará o lançamento de uma iniciativa emblemática para acelerar o desenvolvimento das incipientes tecnologias quânticas, que estão na base da próxima geração de supercomputadores. E 2020 assinalará o desenvolvimento e implantação, em larga escala, de uma infraestrutura europeia de computação de alto desempenho, armazenamento de dados e redes, nomeadamente através da aquisição de dois protótipos de supercomputadores da nova geração (um dos quais figuraria entre os três primeiros do mundo), da criação de um centro europeu de grandes volumes de dados e do melhoramento da rede de base de investigação e inovação (GEANT).
A nuvem europeia para a ciência aberta e a infraestrutura de dados europeia serão acessíveis não só à comunidade de investigação europeia, mas também a toda uma série de outros utilizadores. As empresas poderão aceder facilmente aos dados e às infraestruturas informáticas, assim como a um vasto leque de dados científicos que permitem a inovação baseada em dados. Tal beneficiará em especial as PME, que normalmente não têm acesso a esses recursos. A indústria beneficiará da criação de um ecossistema de computação em nuvem a larga escala, que favorecerá o desenvolvimento de novas tecnologias europeias, designadamente «chips» de baixo consumo para a computação de alto desempenho. Os serviços públicos beneficiarão de um acesso fiável aos poderosos recursos informáticos através de uma plataforma, que tornará os seus dados e serviços de acesso livre, dando origem a serviços públicos interconectados mais baratos, melhores e mais rápidos. Os investigadores também beneficiarão do acesso em linha aos dados de saúde gerados pelos serviços públicos.
Os investimentos públicos e privados necessários à execução da Iniciativa Europeia para a nuvem estão estimados em 6 700 milhões de EUR. A Comissão estima que, no geral, 2 000 milhões de EUR, no quadro do financiamento Horizonte 2020, serão afetados à Iniciativa Europeia para a computação em nuvem. A estimativa em termos de investimento público e privado suplementar é de 4 700 milhões de EUR para um período de 5 anos.

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