Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Primavera do pensamento

Junho: mês dos santos populares: a festa restaura a vida...

Voz às Bibliotecas

2019-04-18 às 06h00

Aida Alves

Ler, ouvir e comunicar. Liberdade de expressão e de pensamento. Ler mais e pausadamente.

Aprimavera é a estação do ano que se destaca por ser mais colorida, perfumada, apelativa aos passeios a pé e boas caminhadas, a viagens e piqueniques e deambulações fotográficas, entre outras atividades ao ar livre. O bom tempo impele-nos para o ambiente ao ar livre, absorvendo-nos pelos sentidos. Alguns estudos demonstram que as mudanças de estação alteram o nosso cérebro, mexendo parâmetros como a memória e a atenção, em função da quantidade de luz (fotoperíodo) que recebemos. Quanto mais desperta a natureza, mais atentos estamos, com maiores picos de atenção. A natureza ilumina-se, acrescenta-se uma hora de intensidade luminosa, as temperaturas sobem e são mais amenas, e isso mexe com os ritmos cardíacos ou biorítmicos. Regra geral, nos indivíduos, verifica-se um aumento do bom humor, que contrasta e contraria alguma “depressão primaveril”. A primavera favorece a libertação de diversas hormonas e neurotransmissores, relacionados com o aumento da luz e da temperatura. Certo é que, para muitos, a floração e polinização aumentam as alergias e o desconforto, quando a temperatura sobe. Mas fixemo-nos nos aspetos que, de alguma forma, nos impelem para uma maior agitação do cérebro, da socialização e da expressão da liberdade.
Nesta altura, estamos a comemorar várias datas importantes, tais como os cinquenta anos da crise académica estudantil de Coimbra de Maio de 69 em Braga, os quarenta e cinco anos do nosso 25 de Abril de 1974, o centenário de nascimento de dois grandes escritores da literatura portuguesa (Sophia de Mello Breyner Andresen e Fernando Namora), e a viver mais intensamente o período pascal em Braga, e o dia 23 de Abril, dia em que se comemora do Dia Mundial do Livro e das Bibliotecas. As bibliotecas, em parceria com várias agentes culturais locais, desenvolvem múltiplas atividades que oferecem à comunidade em torno destas datas.
Aproveitando o período de maior ativação da atenção e da maior facilidade em sair de casa, é pertinente cativar os leitores desta crónica para um apelo que recorrentemente fazemos. É preciso ler mais, ler mais pausadamente, ler todos os dias um pouco. Devemos transformar o nosso cérebro numa primavera do pensamento, introduzindo-lhe ação, dinamismo, criatividade e labor, com o devido rescaldo de descanso e silêncio. Lembrando-nos que, na primavera da vida, tendo um pensamento ativo, e um cérebro agitado, ficamos mais jovens, mental e intelectualmente bem nutridos.
Estando mais informados, não nos resignamos à repetição paulatina do que ouvimos, não somos tão crédulos e não somos tão facilmente industriados. Promovemos a interrogação, cultivamos algum ceticismo e participamos com maior afirmação, afirmando e protegendo a nossa identidade.
Como já escrito, no dia 23 de abril comemora-se o Dia Mundial do Livro e das Bibliotecas. Nunca é demais reafirmar o lema de que ler mais dá saúde, fornece-nos ferramentas para ser, estar e socializar, para nos valorizarmos, numa primavera do pensamento livre. Culturalmente, nesta época, vivemos um humanismo mais universal. Leia mais, ouça mais os outros e comunique as suas ideias. Seja um agente dinâmico na comunidade onde está inserido.

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