Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Presidenciais: contas de outro campeonato

Como sonhar um negócio

Ideias Políticas

2016-01-12 às 06h00

Carlos Almeida

Por estes dias, José Pacheco Pereira protagonizou um momento pouco ou nada esperado. Falando de Marcelo Rebelo de Sousa e da sua candidatura presidencial num programa de opinião política, decidiu referir-se ao Sporting Clube de Braga com um desprezo inqualificável. Disse Pacheco Pereira que para Marcelo ser Presidente da República não lhe basta ser do SC Braga. Teria que ser, julgava ele, adepto de um dos ditos três “grandes” do futebol português.

Ora, enquanto bracarense (não confundir com braguista - esse neologismo irritante que pretende separar a cidade do clube), dizia eu, enquanto bracarense, num primeiro momento pensei: “olha mais um de vistas curtas que escolhe o clube em função do seu palmarés”. No entanto, ouvindo e pensando melhor, percebi que o alvo não era o SC Braga, mas Marcelo Rebelo de Sousa. E devo dizer que, objectivamente, neste caso, Pacheco Pereira tem razão na crítica que lhe faz.

Marcelo tenta, em qualquer circunstância, não assumir grandes compromissos, procurando agradar a gregos e a troianos.

Só que, no meio de tudo isto, o que não faz sentido é chamar a terreiro a opção clubística de um candidato presidencial, seja ele qual for, para avaliar as suas competências e condições. Não vejo, sinceramente, qual é o interesse disso para o exercício das funções de um Presidente da República. Por exemplo, eu vou votar Edgar Silva pelo homem íntegro, justo e honesto que é; pelo.que comporta a sua candidatura, assente que está nos valores de Abril e na Constituição da República. Não sei, e pouco me interessa para o caso, se ele gosta de futebol ou qual o clube que apoia. Da mesma forma, jamais votaria em Marcelo Rebelo de Sousa apenas porque se diz adepto do Braga. Tão-pouco votaria em qualquer outro candidato só porque é da cidade de Braga. A questão é que nem uma coisa, nem outra, devem ser critério.

Mas, já que se fala disso, e uma vez que há ainda quem pense que devemos sentir orgulho porque este ou aquele candidato defende as cores de Braga ou do Braga, deixem que vos diga que Marcelo Rebelo de Sousa tem tanto de adepto do SC Braga como, por exemplo, o eurodeputado José Manuel Fernandes (que agora até assume a nobre função de Presidente da AG do clube). É uma questão de conveniência momentânea. É que para ser-se associado do clube, em boa verdade, não é preciso muito. Qualquer um pode sê-lo. Agora, para ser adepto, aficionado, apoiante indefectível é preciso ser detentor de algo mais.

É preciso sentir o emblema, independentemente da direcção, dos interesses pessoais, do estádio, dos resultados ou da posição que o clube ocupa. É por isso que me aborrece bem mais os dividendos políticos que alguém tenta tirar ao assumir-se adepto do SC Braga, do que as palavras infelizes de Pacheco Pereira, que, no fundo, visava caracterizar Marcelo acusando-o de ser um homem de falsa imparcialidade.

A meu ver, Pacheco Pereira errou apenas na escolha do exemplo. E errou não só porque o futebol nada tem a ver com as eleições, como também falhou ao pensar que quem é adepto do SC Braga é neutro apenas porque não é do Benfica, do Porto ou Sporting. Desengane-se Pacheco Pereira, e quem como ele pensa, se acha que o Braga está longe das grandes disputas do futebol. O Braga está longe, isso sim, de gozar do estatuto de “clube grande” no futebol português - esses mesmos que beneficiam de direitos que mais ninguém consegue, que controlam a imprensa desportiva, que gerem as competições a seu bel-prazer. Mesmo assim há quem escolha apoiar o Braga, o clube da sua terra, com orgulho, de cabeça erguida, não deixando de acreditar que um dia, mais cedo que tarde, aqueles que hoje dominam tudo ficarão enfraquecidos e aqueles que souberam resistir conquistarão o reconhecimento de todos.

Pela minha parte, amanhã lá estarei, como sempre, a apoiar o Braga numa competição em que dois dos três ditos “grandes” são já cartas fora do baralho. E dia 24, sem futebol à mistura, também não faltarei, como sempre, no meu apoio às causas justas por um Portugal com futuro, reforçando a candidatura de Edgar Silva. Porque as Eleições Presidenciais são contas de outro campeonato importa, desde já, somar votos para derrotar a candidatura de direita protagonizada por Marcelo Rebelo de Sousa.

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