Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Preocupação ambiental sinónimo de prestígio e credibilidade

Prémio Nobel da Medicina

Ideias

2012-02-08 às 06h00

Pedro Machado

A Sociedade Ponto Verde, entidade gestora da reciclagem de embalagens em Portugal, divulgou os resultados referentes a 2011. Tendo como meta global, fixada na sua licença, a reciclagem de 55% das embalagens colocadas no mercado, atingiu uma taxa de 64%. Relativamente a 2010 o aumento foi de 6%.

A Sociedade Ponto Verde refere, em comunicado de imprensa, “estes resultados só são possíveis pelo trabalho desenvolvido por todos os parceiros do SIGRE (Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens), especialmente os Sistemas Municipais. São eles os responsáveis pela recolha de resíduos e pela sensibilização direta das populações para a separação seletiva”.
Sinto um grande orgulho pela Braval, como um dos Sistemas que mais contribuiu para estes resultados.

As palavras “sensibilização ambiental” estão na base da missão da Braval, acreditamos que só através dela é possível mudar mentalidades e consequentemente comportamentos, no fundo, só assim se consegue atingir os resultados que a SPV refere. Desde a sua criação que a Braval aposta fortemente na sensibilização ambiental, em especial junto das escolas (alunos e professores) que, por sua vez, a levarão às famílias. No entanto, há outros públicos, que produzem enormes quantidades de resíduos, que devem também ser aposta desta sensibilização ambiental.

Segundo a Sociedade Ponto Verde “estamos num processo sem retorno. É cada vez maior o número de portugueses que se-para os resíduos de embalagens em suas casas.” Ora, se a maior parte dos portugueses já separa, em casa, temos de apostar na separação de resíduos noutros espaços: empresas, espaços públicos, eventos, espaços comerciais. Só com a contribuição da separação dos resíduos produzidos nestes locais se poderá continuar a superar as metas globais de reciclagem.

Precisamente na situação que vivemos, em que a palavra de ordem é poupar, ser eficiente em termos ambientais é sinónimo de economia de recursos, quer naturais, quer financeiros.
Os próprios empresários deveriam pensar estrategicamente, pois ser ambientalmente responsável é sinónimo de credibilidade da própria empresa, logo terá a preferência dos consumidores.
Preocupação ambiental nas empresas não significa apenas o cumprimento da legislação ambiental. Existem algumas práticas que, no dia-a-dia, podem contribuir para a poupança de recursos naturais e financeiros.

Bastam medidas simples como a separação e correto encaminhamento dos resíduos produzidos na empresa, instalação de painéis solares, uso racional das impressoras, com o aproveitamento do papel de rascunho, gestão eficiente do consumo de água, aproveitamento ao máximo da iluminação natural, instalação de equipamentos de baixo consumo, manutenção regular dos equipamentos de ar condicionado e uso destes apenas quando necessário.

Como é que as empresas deverão trabalhar estrategicamente para atingir este objetivo? Por mais medidas que a administração posso implementar, há um requisito fundamental que é a formação, educação e motivação dos colaboradores. Só com a contribuição de todos se poderão implementar as boas práticas ambientais.

Em termos de responsabilidade social e ambiental poder-se-á incentivar os colaboradores a partilhar o transporte pessoal, incentivar o uso de veículos elétricos, oferecer a totalidade ou parte de um passe de transporte público, formá-los para que ponham em prática a correta separação de resíduos, para o não desperdício de água e energia.

Na zona Norte há um exemplo de boas práticas ambientais, neste caso na área desportiva, que provam que essa preocupação é sinónimo de poupança de recursos financeiros, mas também de prestígio, com a atribuição de prémios até a nível internacional. Um estádio construído numa ótica de eficiência energética e de redução do consumo de água e resíduos, sendo considerado um estádio Amigo do Ambiente.

Algumas boas práticas, para além da separação total dos resíduos produzidos, são o aproveitamento das águas da chuva para regar o relvado para além de fazer um uso racional da energia que consome, a presença de células fotovoltaicas na cobertura faz com que o estádio seja quase auto-suficiente a nível energético.

Porque não pensar em implementar estas preocupações no Estádio AXA e nas empresas do Minho para que se tornem ainda melhores exemplos de excelência, a nível nacional e internacional?
Costuma dizer-se que, em tempos de crise, só as melhores empresas vingarão, os empresários devem tentar ser melhores em todas as áreas, procurar distinguir-se da concorrência em todos os aspetos, a responsabilidade ambiental é uma aposta a fazer.

Para além dos benefícios ambientais e financeiros, as certificações alcançadas conferem prestígio, credibilidade, valores que todos os empresários deveriam ansiar e tentar alcançar. Será assim tão complicado?

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.