Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Preferimos boas ou más notícias?

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Ideias

2018-02-16 às 06h00

Margarida Proença

Bem sei que normalmente as manchetes dos jornais preferem histórias de corrupção, desastres, fogos, maus resultados económicos, crises, por aí fora. Há até diversos estudos sobre este assunto; pode ser porque é mais interessante investigar histórias complexas, seguir o fio condutor de crimes e revelar os culpados, ou até porque os jornalistas eventualmente vão desenvolvendo algum cinismo como resultado da sua profissão, principalmente face à política e aos políticos em geral.
São explicações que remetem para o lado da oferta de notícias, mas é certo que do lado da procura das mesmas, por parte de potenciais leitores, embora estes digam que preferem receber sempre boas notícias, são mais incentivados a comprar quando o não são. O filme que está aí agora nos cinemas, nomeado aliás para receber um Óscar, The Post, mostra bem o papel fundamental da imprensa na divulgação de uma importante documentação sobre o envolvimento dos EUA no Vietnam.

Há ainda estudos que sublinham a importância crescente do comportamento estratégico dos média no que respeita à cobertura das notícias ; isto é, informar quem ganha e quem perde e utilizar nesse contexto a linguagem típica da guerra ou da competição pura e dura, centrar as histórias na personalidade dos políticos ou outros intervenientes, no seu estilo, ou na perceção que têm sobre o seu desempenho, num contexto mais de apetência ou motivação pelo poder, do que traduzindo uma real preocupação com o bem comum.
A investigação sobre estes temas é relativamente significativa, ainda que como de costume, bastante centrada nos EUA. Autores como Soroka ou Trussler, entre outros, são interessantes; no caso, conduziram uma experiência com alunos universitários canadianos para tentar compreender as motivações da procura de notícias.

Concluem que os participantes diziam sempre preferir notícias boas, mas escolhiam sempre para ler notícias negativas, em vez de positivas ou até neutras.
Aliás, os resultados apontam ainda que os leitores respondem mais rapidamente até a palavras que são negativas. Os autores apontam para uma explicação um tanto paradoxal segundo eles, nós todos pensamos ou tomamos a nossa realidade individual como positiva, achamos que no final tudo vai dar certo, etc., e logo as más notícias são surpreendentes e por isso as lemos, ou procuramos informação nesse sentido. Porque não esperávamos.
As notícias sobre a economia, ou sobre a crise, não é tão diferente assim. De qualquer forma, os estudos concluem que está tambem presente um envisamento ideológico , tanto na oferta quanto na procura das notícias. Em qualquer caso, os media têm efeitos sobre o sentimento económico comum, mas na maior parte das vezes procuram apenas refletir a perceção que têm do que as pessoas pensam, informando sobre a mudança, mas não tanto sobre os níveis.
Tudo isto vem a propósito das notícias sobre a evolução económica de Portugal ao longo de 2017, com base nos dados reportados pelo INE, esta mesma semana, sobre a evolução do PIB. As notícias são boas...

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