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Práticas Culturais dos Portugueses – estudo da Fundação Calouste Gulbenkian

Terra, tecto e trabalho

Práticas Culturais dos Portugueses – estudo da Fundação Calouste Gulbenkian

Voz às Bibliotecas

2022-02-24 às 06h00

Carla Araújo Carla Araújo

No passado dia 16 de fevereiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, foi publicamente apresentado e discutido o “Inquérito às práticas culturais dos portugueses”, um estudo realizado em 2020 e coordenado por José Machado Pais, Miguel Lobo Antunes e Pedro Magalhães. As práticas culturais, e os seus correspondentes hábitos de consumo, que foram objeto do inquérito aplicado abrangia os seguintes segmentos: Internet e consumos culturais; Audiovisuais: televisão e rádio; Leitura e bibliotecas; Museus, monumentos históricos, sítios arqueológicos e galerias de arte; Cinema, espetáculos ao vivo, festivais e festas locais e, por último, Participação artística e capitais culturais.
No prefácio do documento, que se encontra em acesso aberto, lê-se que o inquérito “tem como objetivo primeiro fornecer às instituições culturais uma grelha de leitura sobre os seus públicos, atuais e de futuro, e dar um contributo para a produção de políticas públicas inovadoras.”
Em face dos resultados divulgados pelo estudo, no mesmo prefácio fica a ressalva de que “A eclosão da epidemia veio necessariamente perturbar o funcionamento do setor cultural e alterar um conjunto de variáveis de análise: desde logo, o encerramento dos museus, teatros, cinemas e salas de concertos, o cancelamento de festivais, a dissipação das livrarias, mas também a crescente dependência da Internet, seja por parte dos indivíduos, seja por parte das instituições.”
Fica bem patente, na generalidade dos segmentos analisados, que a situação pandémica vivida nos últimos dois anos pôs a descoberto os pontos fortes e as fraquezas, tanto das práticas culturais dos portugueses como das próprias entidades e organismos que fornecem e disponibilizam essas práticas. Concretamente no que diz respeito ao segmento Leitura e Bibliotecas, que pretendo aqui trazer, socorro-me da devida transcrição da parte do documento original que me sensibilizou e que é, de facto, objeto de reflexão. Cito: “A percentagem de inquiridos portugueses que, no último ano, não leram qualquer livro impresso (61%) é francamente superior à registada na vizinha Espanha. A leitura de livros digitais foi realizada por 10% dos inquiridos portugueses, contra 20% dos espanhóis. A larga maioria dos inquiridos portugueses (68%) lê livros por prazer, percentagem que se eleva entre os mais idosos e os de mais baixa instrução. Os que menos prazer retiram da leitura (43%) são os jovens dos 15 aos 24 anos, precisamente os que mais leem para estudar ou realizar trabalhos escolares (45%). As escolhas de leitura são fortemente influenciadas pelas redes sociais, sejam elas offline ou online: 43% das recomendações surgem dos círculos da família, amigos e colegas de trabalho; 16% de comentários de amigos nas redes sociais online e 10% buscam-se em sites de redes sociais virtuais especializados na leitura e avaliação de livros. Impulsos à leitura surgem, ainda, da exposição dos livros nas livrarias (17%) e das críticas em jornais ou revistas (16%). Na sua infância e adolescência, a maioria dos inquiridos não beneficiou de estímulos à leitura gerados em contexto familiar. Nunca os pais ou qualquer outro familiar os acompanharam a uma livraria (em 71% dos casos), a uma feira do livro (75%) ou a uma biblioteca (77%); nem tão-pouco lhes ofer- taram um livro (47%) ou os deleitaram com a leitura de um livro de histórias (54%). Porém, os inquiridos mais jovens e aqueles cujos pais têm ou tinham qualificações académicas superiores reconhecem, com mais frequência, esse apoio familiar.
São dados que denunciam a persistência de assimetrias sociais na criação de hábitos de leitura, mas também sinalizam uma mudança.
O facto de os jovens de hoje terem pais mais escolarizados do que os das gerações mais velhas e, por isso mesmo, mais sensíveis ao valor cultural da leitura evidencia um importante elo de transmissão geracional: a democratização do acesso à educação potencia ganhos culturais nas gerações sucessoras.” Deixo para reflexão!

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