Correio do Minho

Braga, sábado

Portugal está a piorar o seu desempenho ambiental

Mais amigo do ambiente (3)

Escreve quem sabe

2018-01-13 às 06h00

Ana Cristina Costa

Foi publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), no final de 2017, o Relatório do Estado do Ambiente 2017 (REA) que sistematiza, entre outros temas, a área dos Resíduos, com dados referentes a 2016, abordando com detalhe questões relacionadas com a produção e gestão de resíduos urbanos.
Face aos compromissos do PERSU2020 e tendo presente que o ano de 2017 já se encontra encerrado, verificou-se que a meta de redução de 7,6% da produção de resíduos em peso face aos valores de 2012 para Dezembro de 2016 ficou muito aquém do esperado. Em 2016, conseguiu-se apenas uma redução de 0,98% em relação aos valores de 2012 (4,78 milhões ton).

A falha no cumprimento destes objetivos traduz-se em:
1) Mais 350 mil ton/ano de resíduos urbanos a necessitarem de tratamento, equivalentes a 7,24% de défice em relação à meta prevista, o que se traduz num pior desempenho ambiental, sobrecarga das infraestruturas e exploração dos sistemas;
2) 25.000 viagens de camião adicionais para o transporte de resíduos urbanos da recolha até destino final;
3) Um acréscimo de emissões de 13 ton CO2/ano, decorrentes das viagens realizadas para suportar este encaminhamento;
4) Um custo aos sistemas de quase 10 milhões por ano para tratar este excedente distribuído entre meios humanos afetos, equipamentos, infraestruturas e custos de tratamento do sistema.

No REA de 2017 é possível verificar que a produção de resíduos urbanos em Portugal continental, atingiu em 2016 os 4,64 milhões de ton, correspondendo a uma produção média diária de 1,29 kg/habitante. Isto significa que, cada habitante português produziu em média 472 kg de resíduos sólidos urbanos por ano e que desde 2014 que, ao invés de se reduzir a produção de resíduos, se tem aumentado a capitação anual.
O PERSU2020 prevê ainda que em 2020 sejam atingidos 10% de redução da produção de resíduos em peso face aos valores de 2012, o que significa que se não atingirmos estes objetivos, os valores atrás referidos terão um acréscimo anual de 25% face aos custos atuais.
A falha na obtenção destes objetivos tem por isso duas consequências diretas: um mau desempenho ambiental e o desperdício de dinheiro público.

É por isso URGENTE tomar novas medidas para que se consigam cumprir os objetivos do PERSU2020, que apostem verdadeiramente na prevenção e redução, estratégias a montante dos sistemas de gestão de resíduos e que se sabe serem de difícil, mas necessária aplicação. A Quercus apela por isso a que se incrementem os serviços de recolha seletiva porta-a-porta, se implemente a nível nacional o sistema PAYT (pay as you trow) e sugere que sejam aplicadas taxas a produtos embalados e descartáveis, num mecanismo semelhante ao já implementado para os sacos de plástico e que conduziu a muito bons resultados, reduzindo significativamente a sua utilização. A educação ambiental deve ser também prioridade para se conseguir atingir as metas de 2020.

Por outro lado, a nível de embalagens, em 2016, consegue apurar-se um desvio de 15%, relativamente aos valores declarados, entre a APA e a SPV. Embora possam ser explicáveis, vem mais uma vez a Quercus, à semelhança do passado, apelar a que num momento em que entram em atividade novos operadores, exista um mecanismo de controlo único e apela a uma atuação urgente do Ministério do Ambiente para implementar a adaptação ao novo modelo concorrencial, de forma a não pôr em risco a continuidade da recolha seletiva e da triagem dos resíduos de embalagem, e o cumprimento das metas previstas no PERSU 2020.
Em 2016 foram reciclados apenas 62% dos resíduos de embalagem. Estes obedecem ao cumprimento das metas estabelecidas, nomeadamente da reciclagem de 70% em peso até 2020, que depende da quantidade de produtos de embalagem colocados no mercado pelas empresas e/ou embaladores que se associam a cada uma das entidades gestoras e da forma como é promovida a recolha seletiva e a separação para reciclagem nos sistemas municipais.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

29 Junho 2018

Gente sem pó

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.