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Portugal e a sua história

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Portugal e a sua história

Ideias

2019-05-10 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Acabo de ler o livro de André Canhoto Costa, AS CINCO REVOLUÇÕES DA HISTÓRIA DE PORTUGAL. O autor procura explicar a evolução de Portugal, quando comparado com a de outros países europeus. E não foi por falta de revoluções que Portugal não mudou. O autor examina as cinco revoluções mais importantes: 1383-1385; 1640; 1820; 1910; e 1974, concluindo que foram manipuladas por uma elite, a qual garantiu a continuidade do sistema, fazendo de Portugal um país pacifista, mas também um país de brandos costumes, apático, conservador e dos mais pobres da Europa. Nenhuma das revoluções, ao contrário do que aconteceu na Europa, significou uma verdadeira rutura. De resto, a classe dirigente, desde a revolução de 1383-1385 sempre se colocou contra a mudança, mas, rapidamente recuperou do abalo.
Depois de examinar cada uma das revoluções, o autor encontra vários fatores explicativos.
O primeiro fator enunciado é a aversão ao debate político e a ausência de participação política. Sem debate prolongou-se a tradição arcaica e o modelo de governo régio de direito divino, mais tarde substituído pelo salazarismo.
Em segundo lugar, Portugal não sofreu o impacto da Reforma Protestante que incentivou a alfabetização. Em boa verdade, o país perdeu o império do Oriente por falta de pessoas capazes de lidar com as exigências do comércio. O jornal Conimbricense, publicado em Londres, explicava o falhanço da revolução liberal pelo facto de a nobreza monopolizar todos os cargos políticos. Não havia educação, não havia mérito, não havia mobilidade social.
Em terceiro lugar, o país sempre se caraterizou pela repressão intelectual. E ocorreu logo na época dos descobrimentos, com Damião de Góis, Garcia da Orta e mesmo com Camões. Esta perseguição acentuou-se com a inquisição e, mais tarde, com a censura.
Por outro lado, sempre faltou o espírito empresarial e a riqueza das descobertas foi gasta em bens de luxo e corrupção. Já em 1515, Afonso de Albuquerque aconselhava D. Manuel: “ Vejo vossos tratos (comércio) e feitorias andar em poder de homens cortesãos (nobres). Apegai-vos, Senhor, com mercadores que tiverem inteligência e saber, e tereis maior tesouro na Índia do que tendes em Portugal”.
E a Inquisição justificou-se numa tentativa de salvar as necessidades da Fazenda Real através das riquezas extorquidas aos judeus e cristãos novos.
Finalmente, a derrota das correntes reformistas em Portugal e Espanha significou um aumento da burocracia em detrimento da liberdade. Desenvolveu-se, assim uma cultura fradesca com obsessão pela gastronomia, poesia e atavismo sexual que se manifesta no abandono das crianças.

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