Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Portugal: a crise, o futuro e a pordata...

Escrever e falar bem Português

Ideias

2010-03-06 às 06h00

Paulo Monteiro

Portugal tem, no momento em que começo a escrever esta crónica 10.650.257 habitantes...
Há três dias atrás a população era de 10.650.112 habitantes. Na terça-feira registaram-se em solo português 218 nascimentos contra 225 óbitos. Na quarta o número de nascimento foi, curiosamente, o mesmo, enquanto o de óbitos passou para 224. Na quinta-feira nasceram mais portugueses (223) mas também morreram mais (229).

Desde o início do ano, até ontem, nasceram em Portugal 17.772 pessoas mas morreram 18.321.
Nos últimos 50 anos, a taxa bruta de natalidade tem vindo a diminuir e de forma drástica... Em 1960 a taxa era de 24,1% e foi reduzindo até chegar aos 9,7% em 2007 e a 9,8% em 2008.
O problema de Portugal, menos nascimentos e mais mortes, não é caso virgem. Na União Europeia a situação é muito idêntica e o problema quanto ao futuro dos países coloca-se cada vez com mais pertinência...

São estes números que levam os governos e os gestores deste país (e dos outros) a pensarem seriamente no futuro. Por isso se fala tanto em reforma da Segurança Social. Por isso se fala tanto em aumentar a idade da reforma.
Para além deste problema, a crise económica também não contribui em nada... Pedem-se cada vez mais esforços aos portugueses e as dificuldades são grandes.

Mas sejamos claros; por muita culpa que tenham os governos e os gestores deste país, por muito mal que tenham conduzido a economia e não terem optado pelas melhores soluções, a crise e a questão económica continuam e têm de ser resolvidos. Temos a União Europeia a olhar fixamente para nós e não tolera brincadeiras.
Muita gente está convencida de que um Estado é soberano. Muitos julgam que, por serem funcionários público têm o seu emprego garantido e que por serem empregados do Estado podem fazer mais exigências...

Poder, podem. Mas não devia ser assim. E é tudo muito claro: um Estado pode ir à falência. Por exemplo, à Islândia isso aconteceu e a Grécia está numa situação muito complicada.
Por isso mesmo, a greve de quinta-feira, na função pública, não teve o impacto que muitos pensavam. Já há muita gente a pensar no futuro e muitas vezes é melhor salvaguardar o que existe do que ter caminhos grandes de incertezas. E, os outros, que não são funcionários públicos, são filhos da mesma gente e não têm que suportar os erros dos outros — exemplo disso está o aumento absurdo dado em 2008 à função pública.

Mas já sabemos: este ano não há aumentos. Mas há uma gran-de vantagem: quem tem empre-go pode dar-se por feliz. Com a inflação em 2009 quase nula e a baixa de juros, acabamos por ganhar mais do que em 2008, mesmo sem aumentos.
Sabemos, também, que estas duas situações não são obras do governos. Bem sabemos, mas ainda bem que aconteceu.

Temos que reduzir o nosso défice a todo o custo. Temos que cumprir regras e normas europeias. Se isso não acontecer, podemos começar a pisar campos muito perigosos para o nosso futuro. E, enquanto vamos tendo a maior contenção possível e não cair em luxos, a coisa vai indo...
Caso contrário, podemos também chegar a extremos. Veja-se o caso da Grécia: o governo socialista decidiu congelar as reformas e reduzir em 30% o 13.º mês e em 60% o 14.º mês de salário dos funcionários públicos.

Além destas, as medidas de austeridade suplementares anunciadas esta semana incluem um aumento de dois pontos percentuais da taxa do IVA e dos impostos sobre álcool, combustíveis e produtos de luxo. Estas novas medidas de austeridade permitirão poupar 4,8 mil milhões de euros. Medidas tomadas porque o governo socialista grego foi pressionado por Bruxelas para endireitar financeiramente o país ameaçado de bancarrota.
E nós?
Queremos que nos aconteça o mesmo?

Exigir tanto numa época tão complicada e de crise, é perigoso. Não nos podemos esquecer que há regras para cumprir em sede de União Europeia. Não podemos só pedir o bom e não querer nada com o mau. Temos que ser uma balança bem afinada e equilibrada.
Mas o recado é também para os nossos gestores, para os nossos governos. Todos têm de dar o exemplo.

A greve de quinta-feira, se calhar, não foi um bom exemplo. Mas os dias que se têm perdido em greves no nosso país têm diminuído drasticamente, o que também significa que tem havido uma melhoria de condições dos trabalhadores. Longe vão os tempos em que se faziam greves por tudo e por nada... Em 1992 realizaram-se 409 greves (o maior número até hoje, pós 25 de Abril). O menor aconteceu em 2007 com 99. Números que querem dizer alguma coisa.
E por falar em números...

Ao terminar esta crónica, a po-pulação portuguesa passou a ser de 10.650.257. Neste tempo morreram oito portugueses e nasceram nove.
São números e estatísticas de uma utilidade enorme e podem ser encontradas no novo sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, em www.pordata.pt.
A Pordata, Base de Dados de Portugal Contemporâneo, foi organizada pela FFMS.

Trata-se de um serviço público, um projecto destinado a todos, pensado para um vasto nú-mero de utentes que comungam do interesse em conhecer, com confiança e rigor, mais sobre Portugal.
Uma excelente base de dados.
Agora nem os políticos, nem os jornalistas se podem queixar de desconhecerem os números. Lá vem tudo. É uma autêntica enciclopédia. Uma ferramenta que fazia falta!

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