Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Porquê celebrar a Europa?

O elefante elegante e a girafa gira

Ideias

2018-05-17 às 06h00

Sofia Colares Alves

Na semana passada, a 9 de maio, celebrou-se o Dia da Europa. Foi dia de celebrar a nossa diversidade, a nossa solidariedade, a prosperidade que esta Europa nos traz. Mas essas celebrações não devem ser reservadas a um dia só. Continua a ser tempo de celebrar uma União Europeia que se reinventa agora que sofre os primeiros embates daquilo que será o Brexit. Continua a ser oportuno olhar para trás e ver que nos tornámos num continente de paz.
Em 1986, ano da nossa adesão, estava longe de imaginar que, 32 anos depois, me teria especializado em direito comunitário e que estaria à frente da Comissão Europeia em Portugal. A verdade é que a posição que hoje ocupo é um privilégio: em primeiro lugar, porque tenho um enorme gosto em servir a causa pública europeia; depois, porque tenho o grande prazer de o poder fazer no país onde nasci. O lugar que hoje ocupo no último andar do edifício Jean Monnet, com uma vista privilegiada sobre Lisboa, permite?me relembrar o percurso feito por Portugal desde os dias da adesão, em 1986, e até hoje. Dedico parte do meu tempo a pensar de que forma a Comissão Europeia ajuda ou pode ajudar Portugal, pelo que penso frequentemente como é que o nosso País mudou.
Muitas vezes ouço dizer que os cidadãos não querem saber da Europa, mas as evidências mostram o contrário. Uma sondagem do Eurobarómetro (número 88, do Outono de 2017) mostra que o desprendimento dos cidadãos relativamente à Europa é um mito. Embora persista algum pessimismo relativamente à situação da economia, estes dados confirmavam a evolução positiva, nos três anos anteriores, na opinião pública nacional. No Outono de 2017, 53 % dos portugueses diziam ter uma imagem positiva da UE, enquanto apenas 12 % a dava como negativa. Os portugueses destacam-se pelo seu apoio ao projeto europeu.
Claro que é mais fácil falar da Europa em tempos de bonança. É também mais simples falar de Europa num país que conhece bem as suas vantagens. É por isso que mesmo daqui, do último andar do edifício Jean Monnet, tenho alguma dificuldade em ver um Portugal longe da Europa. Como poderia o país não reconhecer uma injeção de fundos europeus que, entre 2014 e 2020, representa 25 mil milhões de euros? Como poderia Portugal não admitir que está entre os primeiros com mais investimento do Plano Juncker? Plano esse que, até dezembro de 2017, investiu um total de 2 mil milhões de euros em diferentes projetos, por todo o país? Como poderiam os portugueses menosprezar a ação da Proteção Civil europeia nos incêndios do verão de 2017? Ou os mais de 50 milhões de ajuda financeira para recuperar as áreas ardidas? Ou os mais de 250 milhões de euros investidos na ferrovia nacional, anunciados no mês passado? E não, não falamos só de dinheiro. Falamos de verdadeira solidariedade. Falamos de uma visão mais política e mais centrada nas necessidades do país.
Os últimos três anos foram muito acelerados. Portugal saiu, com muito mérito próprio, de um Programa de Ajustamento Económico e Financeiro; saiu também do Procedimento por Défices Excessivos; passou, aos poucos, a constar nas notícias como um exemplo de relançamento da sua economia. Os louros são devidamente entregues aos Portugueses e aos seus políticos que, todos sabemos, tantos esforços fizeram. Ainda assim, gosto também de pensar que nós, na Comissão Europeia, somos parte deste caminho para o sucesso de Portugal.
É por tudo isto que vale a pena celebrar o Dia da Europa – o dia de todos os Europeus.

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